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01/12/2008 GMT 1

"Colégio Castella" Episódio 07

morrissey @ 22:00

Resumo do episódio anterior:
     Após uma confusão na sala dos professores entre Theóphilo e James e Dalilia, Maurício determina que Dalila cuidará das eleições de líderes dos meninos e meninas. Vivian descobre que Tamara se candidatou e não se intimida. Amanda continua com seu plano de usar Tamara e se vingar de Evandro e Vivian, o que, para as amigas delas, está fora de controle. Agore continue vendo as novidades deste episódio.

     Jonas estava estudando quando Léo e Felipe se aproximaram dele:
     - E aê, Jô, está estudando muito?
     - Um pouco - disse ele, estranhando os dois.
     - Um pouco? - exclamou Felipe - nem te vimos no recreio, e está na hora da Educação Física! Por que nunca participa das aulas conosco?
     - Porque eu não sou forte o bastante, tenho vergonha de jogar bola sem camisa pois não sou "sarado" como vocês e prometi a minha família a se esforçar mais nos estudos, e não nos esportes.
     - Sei... e o que você prometeu a si mesmo?
     Jonas ficou mais surpreso.
     - Estudar - disse, não sabendo dizer outra coisa.
     - Rapaz, todos nós estudamos. Está certo, de vez em quando damos nossas mancadas, mas isso não significa que nossa família esteja desapontada. E olhe, acredito que muita gente inteligente como você deva tirar um tempo para se distrair. Está na hora de tirar um tempo para si mesmo, cara.
     Nisso que Felipe foi falando as últimas palavras, Léo fechou os livros de Jonas.
     - Vamos - disse Léo - já chega de viver excluído da gente. Tobias às vezes é muito chato. Nós não somos tão maus como ele diz.
     - Ele não fala isso.
     - Mas também não fala bem - arrematou Felipe - aceite nosso convite, Jô. Você pode assistir a gente jogando, ou ajudar o Alex. Eu acho que ele deve estar dando faltas em você, porque você nem aparece no campo.
     - Faltas?! - Jonas tratou de ficar em pé - Está bem, irei com vocês.
     Jonas sentia que eles não estavam zoando dele. Ou será que eles estavam se aproximando dele apenas para conseguir voto a Evandro? Não sabia por ora, apenas que ele não podia ficar manchando seu boletim com faltas em Educação Física.

     Amanda se dirigiu à Dalila:
     - Professora, peço a autorização da senhora para realizar um comício.
     - Ué, Amanda, você se candidatou também?
     - Não, mas me tornei a publicitária de Tamara. Ela é tímida, tadinha, e precisa de apoio.
     - Para manifestações dessa altura é necessário pedir autorização dos superiores.
     - O Sr. Arantes nunca o permitirá!
     - Eu estou falando do diretor Assis, querida.
     - Ah, tá! - Amanda suspirou aliviada - bem, vou procurá-lo.
     Nisso que Amanda deu alguns passos, ela se esbarrou em Evandro. O seu coração bateu forte nos poucos segundos em que seu corpo se esbarrou no físico de Evandro.
     - Oi Amanda. Estava conversando com A profª. Dalila?
     - Sim, sobre as eleições. Vou fazer um comício.
     - Caracas, já está assim, tão poderosa?
     - É, meu caro, tudo para poder ajudar os outros...
     Amanda se referia a Tamara, mas Evandro pensava que ela estava se referindo a si mesma como candidata.
     - Bem, boa sorte para você.
     - Para você também, Evandro. Vou procurar o diretor Assis.
     Só quando ela estava distante é que ela se deu conta da ambigüidade das frases trocadas.

     Theóphilo estava em seu gabinete, amargurado. Seus compromissos estavam se acumulando. Maurício entrou.
     - Théo, você ainda não assinou os boletins?
     Theóphilo respondeu rispidamente:
     - Não. Por que não me demite logo?
     - Porque por enquanto ainda preciso de você.
     - E para quê? Para servir de idiota que diverte os outros com humilhações?
     - Você é quem quis se humilhar, Théo, agindo como ontem. Nunca me passou pela cabeça que você seria tão desagradável mesmo em minha presença.
     - O senhor me contratou para supervisionar as atividades dos professores e alunos; a auxiliá-lo a impôr autoridade e ordem no colégio.   Estou tentando fazer o meu trabalho, mas o senhor vive interferindo!
     - Não é verdade, Theóphilo! A verdade é que se eu te der autonomia total a nossa escola vai à falência! Você mudou muito nesse tempo, acho que o cargo te subiu a cabeça. Você tem muitas responsabilidades e penso se você ainda tem mente fresca para assumi-las.
     Theóphilo viu nessa frase uma ameaça do diretor. Ou ele vai mesmo me demitir, ou vai me rebaixar de cargo!
     - Não, senhor diretor - disse ele, levantando-se - eu apenas estou um pouco estressado. Mas não por culpa das responsabilidades que tenho. Estou muito bem com elas.
     - Mas eu já te tirei uma. A eleição dos líderes dos alunos. Você provou ser incapaz de conduzí-la. A profª. Dalila está cuidando disso, e os alunos não têm reclamações com ela.
     - Desculpe-me se causei má impressão, diretor. Vou melhorar.
     - Certo. Quero que colabore com as decisões que a Profª. Dalila tomar quanto às eleições. Já dei instruções sobre os pijamas. E ainda exijo que peças desculpas ao prof. Cláudio.
     Nisso Theóphilo não podia concordar. Já tinha pegado nojo de Cláudio, o queria fora do colégio. Limitou-se apenas a dizer:
     - Tudo bem, senhor diretor.

     Alex ficou surpreso em ver Jonas no campo.
     - Jonas, meu filho! Já estudou o bastante?
     - Quero pedir imensamente mil desculpas por ter matado as suas aulas, professor. O que posso fazer para consertar isso?
     - Pode tirar a camisa e entrar em campo, pois o time de Augusto está incompleto.
     - Professor - socorreu Felipe - Jonas ainda não está à vontade de jogar, prometi a ele que ele poderia apenas assistir aos jogos por enquanto.
     - OK, mas alguém terá de ser reserva.
     - Eu fico! - disse Léo.
     - OK. Muito bem, rapazes, vamos lá!
     Jonas sentou-se. Estava tremendo.
     - Relaxe, cara, tu tá muito nervoso!
     - Perdão, Léo, mas eu raramente participei dessas aulas. Vocês participam de campeonatos e tudo o mais?
     - Está brincando? Ano passado ficamos em 4º lugar. Queremos vencer desta vez, lógico. E será uma honra ter na equipe o líder dos meninos.
     Lá vem a propaganda, pensou Jonas, mas descontraído. Afinal, os rapazes deram um jeito para que ele não jogasse. Por enquanto. Teria de aprender, de perder o medo, de se enturmar com os outros. Talvez eles estivessem certos, pensou. Tobias não é a única pessoa do colégio para se ter como amigo.

     Vivian estava com suas escudeiras fiéis, Linda e Dolores.
     - E imaginem, meninas, que aquela retardada da Tamara resolveu se candidatar a líder das meninas? Ganharei essa eleição fácil, fácil!
     - Talvez você pudesse fazer com que ela desistisse e nem teria mais a eleição - sugeriu Linda.
     - Não Linda, vamos permitir a eleição - disse Dolores - assim a humilhação dela é maior - e as três caíram na gargalhada.
     Após os risos, elas olharam para o lado e viram Evandro se aproximar. Vivian ficou mais séria e fez pose de sexy.
     - Oi, meninas.
     - Olá, Evandro - disseram as três.
     - Como vão? Preparadas para as eleições?
     - Sim. Ganharei fácil - disse Vivian, passando a mão no tórax dele.
     - Eu não diria assim - disse ele, convencido.
     - Por que diz isso, meu bem? - perguntou ela, descendo a mão.
     - Por que não será fácil disputar com Amanda.
     Vivian prontamente tirou a mão nele.
     - O quê? Aquela cachorra se candidatou? Não, Evandro, está confundindo com a Tamara.
     - Eu sei. Mas, conversei com Amanda e a incentivei a tentar também. Ela foi barrada pelo Theóphilo, mas como agora ele está fora do controle das eleições, ela se inscreveu. Por que, Vivian - aproximou-se dela - está com medo de Amanda?
     - NÃO!! Mas, você anda conversando com ela?
     - E muito, minha cara. Por isso eu digo, é melhor abaixar um pouco seu ego e se preparar para a disputa, que vai ser acirrada!
     Vivian entendeu o que Evandro queria. Ele queria fazer ciúmes nela, jogar na cara dela que agora está com Amanda. E ela, furiosa, chamou as amigas e se afastaram dele. Evandro ainda deu umas risadas, e alunos que passavam no corredor não entenderam o porquê disso.

     Tobias estava quase desistindo de esperar na biblioteca quando Jonas apareceu.
     - Poxa, Jonas, estava pensando que você tinha me passado para trás.
     - Se você não se importasse, eu gostaria de adiar os estudos de hoje.
     - Por quê? Aconteceu alguma coisa?
     - Vou treinar futebol com os meninos.
     Tobias levou um choque.
     - Mas, o quê? Desde quando você se importa com os esportes?
     - Desde que os rapazes me alertaram de que estou levando falta a rodo.
     - Ah, isso. Rapaz, é só entregar ao professor uma declaração de que você não tem o porte físico necessário e pronto. Você não precisa passar vergonha na frente deles por causa de faltas. O Alex é muito compreensivo. E duvido que ele deva ter dado tantas faltas todo esse tempo. Senão você já estaria reprovado.
     - Certo, Tobias, mas dessa vez eu prometi a eles que iria e...
     - Tudo bem, pode ir, mas lembre-se: faça a declaração. E não se preocupe mais com isso. Estudaremos amanhã.
     - Está combinado.

     Cláudio estava na sala dos professores digitando a prova para os alunos. Bia entrou na sala para corrigir as provas que ela já dera. Como sempre, usava caneta vermelha na maioria das provas dos rapazes.
     - Esses meninos deviam se esforçar um pouco mais. Deveria haver uma norma que exigisse dos alunos mais rendimento escolar para participar dos campeonatos. Ah, desculpe-me, Cláudio, estou atrapalhando você?
     - Não, Bia. Eu entendo perfeitamente a sua situação. Eu não consigo entender como esses alunos conseguem passar de ano.
     - Simples: nós é que levamos a culpa pelo péssimo rendimento dele. Levamos de brinde as broncas do Theóphilo.
     - Mas isso é uma tremenda injustiça. E creio que após ontem o Theóphilo pegará mais leve conosco.
     - É, graças a você.
     - Eu? Apenas dei uma força...
     - Não, desde que você entrou eu senti que ele quis te intimidar, pois ele tem medo de você e do seu potencial. E você não se deixou intimidar. Ele está perdendo o controle de si. Ele...
     Theóphilo entrou nesse instante.
     - Profª. Beatriz, quero falar a sós com o Prof. Cláudio, se possível.
     Bia resolveu sair só porque ele falou sem grosseria. Mas, Cláudio preferia que ela tivesse feito questão de ficar.
     - Cláudio - disse ele, após a saída de Bia - o diretor Assis me mandou pedir desculpas a você pelo episódio de ontem.
     - Desculpas aceitas...
     - Mas quero que saiba que isso não é de minha iniciativa! Estou de olho em você rapaz! Não sei o que está tramando, mas não conseguirá, está entendendo? De agora em diante, não atrapalhe o meu trabalho que eu não atrapalho o seu.
     - Acho que você já me fez promessa similar.
     - Vá... - e Theóphilo disse a frase sem-educação. Cláudio ficou chocado. Theóphilo saiu. Bia estava longe, mas ela não percebeu a ira que Theóphilo carregava ao sair. E foi logo perguntando:
     - O que houve?
     - Ele apenas veio me pedir desculpas por ontem?
     - E precisava de eu ter saído? Vergonha de admitir que errou em público, né? Tudo bem. Pelo menos ele se retratou.
     - Isso mesmo.
     Cláudio achou melhor não dizer mais nada à Bia para não alarmá-la.

     Marina e Vera interceptaram Tamara no caminho:
     - Tamara, precisamos falar com você.
     - Tudo bem, meninas.
     - Vamos à Biblioteca.
     - A Biblioteca não é lugar de conversar...
     - Falaremos baixinho. Rápido!
     Tamara não entendeu a urgência das meninas. Na biblioteca, Camélia e Ana Márcia já as aguardavam.
     - Tamara - disse Marina - queremos que você desista das eleições.
     - Isso nunca! - bradou Tamara.
     - Menina, não percebe que a Amanda só está querendo te usar para fins egoístas?
     - Que fins?
     - Se vingar da Vivian - disse Camélia - e fazer ciúmes em Evandro. No fim até o Theóphilo pode ser prejudicado, mas não queremos que você pague o pato por isso.
     - Meninas, eu estou de pleno acordo com Amanda. Eu quero derrotar Vivian. Eu não suporto o Evandro, acho-o abominável. E todas nós concordamos que Theóphilo não é o supervisor dos nossos sonhos.
     - Então concordas com o plano dela?
     - Bem, eu não sabia que ela tinha um plano com isso, mas, sim.
     - Como, sim? - gritou Vera - não está vendo que ela mentiu para você? Ela não quer te ajudar por ser sua amiga, ela está apenas te usando. E, se o plano dela funcionar, e você for eleita, acha que ela vai te ajudar na liderança como vice?
     - Não, porque até lá eu não preciso mais dela, também.
     As meninas ficaram chocadas. Então, Tamara também tem seus planos traçados. E agora que as retardadas revelaram o plano de Amanda, ela irá pôr suas garras para fora!
     - Você é uma descarada igual a Amanda e a Vivian - disse Marina, com desprezo - Pode ir. Mas, não terá mais o nosso apóio.
     - De vocês eu não precisava mais, your sluts!
     Ana Márcia arregalou os olhos, deu vontade de dar um tapa em Tamara. Mas, manteve a sua dignidade e se afastou de Tamara. As outras a seguiram.

     Os rapazes acharam razoável o rendimento de Jonas no fim do jogo.
     - Até que tu leva jeito, Jonas - disse Augusto - mais uns treinos e pode jogar conosco.
     - Amanhã a gente continua - disse Léo.
     - Não dá, caras - disse Jonas - prometi estudar com o Tobias.
     - Pois chame Tobias para jogar com a gente.
     - Ele está de licença.
     - Ah, isso - e os rapazes riram.
     - O que foi?
     - Essa é a única fraude do nosso exemplar líder - disse Felipe - Ele não é fracote. Acontece que é super-fácil conseguir essas declarações, e ele foi um dos contemplados por ela.
     - Por que ele faria isso?
     - Por causa de um campeonato em anos passados. Ele não se achou bom o bastante. Ficou bronqueado. Desde então tem inventado essa lorota de indisposição física. A gente que nunca quis falar a verdade pro professor. Porque, se não, bastasse uns exames para provar que Tobias é saudável para cancelar a declaração.
     Jonas ficou surpreso com a revelação.
     - E por que vocês mesmos não falam com Alex?
     - Ora, Jonas, pense - disse Luís - Tobias é muito exigente consigo mesmo. Ao mesmo tempo, era muito exigente conosco! Era muito chato, dava mais ordens do que Alex. Para nós foi um alívio quando ele inventou a lorota da declaração, e prometeu a si mesmo se dedicar aos estudos. E só. Revelar a Alex a verdade seria perder a paz que temos na equipe.
     - Jonas! - alertou Felipe - promete não falar nada a Alex? Prometa!
     Por um momento Jonas sentiu medo. Estava começando a ser notável entre os colegas de quarto, e não queria desmanchar isso logo agora, por causa da trapaça de um outro aluno.
     - Eu prometo, caras.

     Maurício e Dalila conversavam sobre as eleições quando Amanda chegou trazendo a sua idéia de um comício divulgando Tamara.
     - Vocês podem usar o auditório para isso, Amanda - disse o diretor - falarei com Ramírez para que ele possa colarobar no que for possível.
     - Muito obrigada, senhor. Estava também pensando em cartazes e pôsteres. Claro que custearemos tudo isso - adiantou ela.
     - Desde que não atrapalhem a mesada de vocês, tudo bem.
     Tamara se aproximou de Amanda.
     - Amiga, o que está fazendo?
     - Oi, Tamara, estou vendo com Dalila e o senhor diretor a possibilidade de um comício. Felizmente, será possível fazer um, no auditório. É melhor preparar seu discurso de campanha.
     - Com certeza.
     "Então você estava organizando um comício sem falar comigo antes?", pensou Tamara. "As meninas tinham razão. Ela está me usando para fins egoístas. Quem a vê parece que é ela a candidata! Mas, elas pensavam que eu não estava desconfiando antes. Que burras! Achavam que eu era otária, que só prestava pra estudar. Mas, não, tinha minhas dúvidas, agora tenho certeza. Mas não deixarei que ela suba nas minhas costas para ter glória. Se eu ganhar a eleição, será EU a líder e não ela!"

     Cláudio encontrou Jonas preocupado no corredor.
     - Jonas, o que foi? Problemas de novo com os rapazes?
     - Pelo contrário, estive jogando bola com eles.
     - Meus parabéns, estou vendo que vocês estão se enturmando.
     - É, mas acho que não deveria me distrair tanto. As provas estão perto de chegar...
     - Ei, ei, Jonas! - admoestou Cláudio - Escute aqui. Você tirou nota máxima em todos os trabalhos, seus exercícios estavam 99% corretos e suas redações são excelentes. Falta apenas cinco pontos para tirar a nota máxima do bimestre! Se tirar cinco na prova, você passa com honra ao mérito. Para quê se preocupar tanto? Relaxe, você já estudou muito. Vá se divertir, distrair um pouco.
     - Mas, e os outros rapazes?
     - Você não precisa ser um deles. Você pode muito bem eqüilibrar as duas coisas: estudo e diversão. É só uma questão de eqüilíbrio. Se estiver com os estudos em dia, como você está agora, que mal há em descontrair um pouco a mente? Não estará me magoando, Jonas.
     O conselho de Cláudio combinava com que os rapazes disseram. Ele precisava relaxar um pouco!
     - Obrigado, professor, o senhor tirou um peso em minhas costas...
     - Foi bom termos conversado. Agora, vá se divertir um pouco. Se for à Biblioteca, vá ler uma revista em quadrinhos. Você merece.
     E foi exatamente o que Jonas foi fazer...

FIM DO SÉTIMO EPISÓDIO.

18/04/2008 GMT 1

"Colégio Castella" Episódio 06

morrissey @ 01:03

Pois bem, o último episódio foi muito interessante. Amanda está exagerando no seu plano e não está pensando nas consequências; quer usar Tamara e Evandro para expulsar Vivian do colégio, mas agora até Theóphilo será sua vítima! Evandro conseguiu se candidatar graças a Maurício e está pensando que Amanda o quer. Bia está preocupada em saber como vai indo Cláudio. Você pode saber de mais detalhes da conversa se continuar com a leitura.

     No dia seguinte, Bia fez questão de sentar na mesma mesa que Cláudio no café da manhã. Ele percebeu e sorriu.
    - Muito obrigado pela preocupação.
    - Te deixei embaraçado?
    - Não se inicia frase com pronome oblíquo, mas eu te perdôo, por ser professora de Biologia. Sim, está tudo bem.
    Bia riu.
    - Pelo visto, está melhor. Mas anteontem eu fiquei preocupada. Os meninos não estão facilitando as coisas?
    - Por que falamos logo nos meninos?
    - Ha, ha, é óbvio que alguns deles se ressentem porque as meninas estão malucas por você.
    - Esses idiotas não percebem que eu tenho idade para ser o pai delas?
    - Sei não, algumas dessas meninas têm pai que beira aos quarenta... você não tem isso tudo de idade, tem?
    - Não, claro que não.
    - Então está resolvido. Vamos à sala dos Professores. Qual será a nova de Theóphilo?

    Enquanto todos esperavam seus professores, Amanda se encontrou com Evandro no corredor.
    - Bom-dia, Evandro.
    - Olá, Amanda - disse ele, surpreso.
    - Eu gostaria de conversar contigo no almoço. A gente nunca teve a oportunidade de conversar, não é mesmo?
    - Isso não é uma pena? Precisamos mudar isso.
    - Então, estamos combinados?
    - Estamos combinados.
    Cada um foi para seu lugar. Um, levitando de paixão, outro, levitando de vingança.

    Bia logo logo soube, quando todos se reuniram na sala.
    - Muito bem. Estive olhando as pautas de vocês para ver como vão os nossos alunos. Vânia, aquelas retardadas ainda estão atirando as bolas fora do campo?
    - Graças a Deus não, Sr. Arantes. Todas estão jogando muito bem.
    - Então acabou-se a frescura de que não queriam mais jogar vôlei porque isso quebrava a unha? Que bom! Pode dizer à elas que se umas dessas engraçadinhas vierem se candidatar à líder com a promessa de abolir os esportes, já estou avisando, essa promessa não será cumprida!
    - Por que está gritando com ela? - perguntou Alex - vá falar isso com as meninas!
    - Cale-se e já! E você, trate de falar àqueles guris que jogem decentemente! Que história é essa de jogar bola sem camisa, e com as bermudas caindo, mostrando parte da bunda? Meninas taradas matam aula só para ver o espetáculo!
    - Sr. Arantes, às vezes minhas aulas são de tarde e faz calor...
    - Não interessa! Será que terei de mandar uniformes de Ed. Física?
    - Por favor, que seja mais decente do que o seu pijama - disse James.
    Todo o corpo docente riu de Theóphilo Arantes. Ele ficou revoltado:
    - Mas que palhaçada é essa? Isso é jeito de se comportar na frente de seu superior?
    - Inferior - arrematou Caio - lá vem Maurício.
    Maurício entrou e notou o clima hostil da sala.
    - Parece que eu tenho de fazer tudo sozinho para as coisas funcionarem direiro, né Théo? O que está acontecendo? Há pouco ouvi risadas, mas agora todos estão com cara de quem comeu jiló.
    - Sr. Assis, Theóphilo está passando dos limites - denunciou Dalila - ele chama os alunos de retardados, impõe exigências absurdas a nós e nos humilha. Gostaria que ele fosse por um dia professor para saber como é  difícil.
    - Não é difícil, sua fresca - berrou Theóphilo - e se se sente assim, porque não vai embora?
    - Abaixe o tom de voz na minha esposa, rapaz! - disse James, se levantando.
    Cláudio resolveu intervir.
    - Espere aí, espere aí, minha gente! Não vamos entrar em desordem, agora. Isso é dar mau exemplo aos nossos alunos. Vamos nos acalmar - botou a mão no ombro de James para que ele se sentasse - e falar uns com os outros educadamente. E quanto ao senhor, Arantes, seria mais fácil se você tratasse a nós e aos alunos com mais respeito.
    - Respeito se dá a quem merece, seu filho da p...
    - Theóphilo Arantes! - berrou Maurício - mais uma palavra e você está demitido! Saia já dessa sala e termine com os relatórios do colégio! E de agora em diante, será a Profª. Dalila quem cuidará da eleição dos alunos para líder.
    - O quê? - disse Theóphilo, perplexo - mas...
    - Vá! A Profª. Dalila irá candidatar quantos alunos achar necessário, sem discriminação, sem contar com os erros passados. Quem decidirá na final serão os alunos. Pode ir, Theóphilo.
    Theóphilo saiu arrasado. Maurício sentou-se na cadeira onde ele estava. Cláudio se desculpou.
    - Ele podia ter evitado isso, diretor Assis.
    - Ele não quer evitar. Se não fosse a falta de supervisores na área já o teria demitido. Acontece que ele me é útil, por enquanto.
    - Diretor Assis - começou Bia - já que estamos falando nisso, gostaria de expressar minha indignação quanto aos pijamas. Talvez o senhor não saiba, mas nem eu, e acredito que mais ninguém neste colégio, deve usar esse troço horrível.
    - É mesmo? Desde quando estavam insatisfeitos?
    Os professores estavam chocados. Ora, desde que veio esses uniformes, toda a escola tem se queixado e ele não sabia?
    - Muitos alunos deram várias queixas, diretor.
    - Eu avisei ao Theóphilo que o modelo era inadequado. Mas ele insistiu que, por ser um pijama, ninguém iria se importar. E ele me chamou atenção ao dia em que viu uma aluna de camisola andando na escola à noite.
    - Essa eu ouvi - disse Alex - é uma bichinha de nome Tamara. Que ridículo, ela é tão tímida! Do jeito que Theóphilo conta, parecia que ela estava nua. Puro exagero, diretor. Eu acho que o senhor deveria ouvir mais a opinião dos próprios alunos sobre isso.
    - Profª. Dalila, a senhora está incubida desse dever. E se algum candidato quiser prometer a abolição dos uniformes, tem a minha autorização para tal.
    - Obrigada, Sr. Assis.
    - Então, professores, vamos à aula.

    As meninas aguardavam Dalila.
    - Amanda - disse Vera - boatos circulam de que você será a próxima vítima de Evandro. É verdade isso ou mentira?
    - Acho melhor você continuar considerando isso como um boato.
    - Menina, o que está fazendo? - perguntou Marina - está mesmo levando a sério esse seu plano? Andei pensando, e eu o achei muito maluco, sem lógica e ética.
    - Ética?
    - Sim. Vai usar a Tamara e o Evandro para fins egoístas. E quando terminar, vai se livrar deles como copo descartável?
    - Peraí, como assim, a Tamara? - perguntou Vera.
    - Amanda quer usá-la como candidata a líder.
    - Você perdeu mesmo o juízo, Amanda. Vou agora falar pra ela que isso não passa de um jogo sujo de sua parte.
    - Não farão nada disso! Meninas, eu não faço isso por fins egoístas! Logo, vocês me agradecerão quando tudo estiver acabado. Xi, a Dalila chegou junto com a Tamara. Bico fechado, ein?
    - Meninas - começou Dalila - acabo de receber uma notícia muito interessante, e que com certeza beneficiará a todas vocês. O diretor Assis me designou responsável geral pelas eleições dos próximos líderes para este ano.
    As alunas bateram palmas e vibraram com a notícia.
    - Eu espero que vocês já tenham decidido se vão ou não tentar este ano. Até então temos Vivian Prado como primeira concorrente. Se ninguém se candidatar até a semana que vem, iremos elegê-la sem eleições. Por acaso, alguém desta sala além dela gostaria de se candidatar?
    - Eu, professora - Tamara se levantou e todas a olharam, descrentes.
    - Muito bem, Tamara. Venha à minha mesa para preencher esses formulários. Já vimos que teremos uma eleição no pleno sentido.
    Amanda estava sorridente. Menos contente estavam suas amigas.

    Tobias estava falando com os outros.
    - Eu não acredito que vocês de propósito fizeram redações hediondas só para implicar com o Sr. Soares.
    - Uôu, Tobias, pra quê a formalidade? - disse Luís - aqui conosco é só "Cláudio, o rei da meninada" - risos dos outros.
    - Vocês dão mesmo bola para essas meninas retardadas que não se controlam na presença de um macho, né? Por que vocês querem logo essas?
    - Porque pra conquistar fica mais fácil - replicou Augusto.
    - Ôpa - alertou Felipe - nem todos acham as minas fáceis por aqui.
    Todos olharam Evandro que estava estudando de verdade, talvez pela primeira vez em sua vida.
    - Estão falando comigo?
    - É, estamos estranhando você dar uma de Tobias. O que está fazendo, cara? Não precisa ser inteligente para ser o líder.
    - Pelo contrário, cara. A conversa que tive com Theóphilo e Maurício deu o que pensar...
    - E desde quando você pensa, cara? - perguntou Luís. Mais risos.
    - Ah, esquece, vocês não entenderiam.
    - Somos seus amigos, Evandro, é claro que podemos entender. Me diz outra coisa: isso não tem a ver com a... - os outros entenderam do que  Luís tratava.
    - Nós vamos nos ver no almoço. E minha barriga já está roncando!
    - Ah, moleque! - disseram os outros.
    Caio chegou e eles findaram a conversa.

    No almoço, Amanda imediatamente tratou de se sentar em outra mesa, deixando suas amigas contrariadas. Evandro fez o mesmo. Estava tão empolgado com o momento que até deixou Giselda colocar salada de pimentão no prato.
    - Bom menino - disse ela.
    Os dois se sentaram. Amanda podia ouvir uma música romântica - ou seria imaginação dela?
    - Pois é, Evandro, aqui estamos nós.
    - Sabia que há tempos que eu queria te conhecer, Amanda?
    - Sério? Eu, não. Fico feliz. Hoje você realizou seu sonho.
    "Meu sonho é te levar nua pro meu quarto", meditou Evandro.
    - E então? Como vai indo a eleição entre os meninos? Ah, já ficou sabendo que mudaram o responsável?
    - Não - Evandro cortou os devaneios sensuais e prestou mais atenção.
    - A Profª. Dalila disse que o diretor Assis a designou a responsável pelo andamento da eleição. E a Tamara, assim que ouviu, se levantou e se ofereceu como candidata, pra concorrer com a Vivian! Ah, eu estou tão feliz!
    - Que bom, Amanda. Pois você pode realizar o seu sonho, também.
    "Meu sonho é te ver na cadeia, seu tarado", pensou ela.
    - Que sonho?
    - Ser líder. Ou pelo menos, tentar.
    - Ah, querido, eu não sou candidata.
    - É, eu sei. Eu conversei com Theóphilo e ele me disse que cortou você da jogada porque você não usa o pijama. É claro que eu não concordei com isso. Por pouco eu também não seria cortado, se o Diretor Maurício aparecesse na hora e cortasse o barato do Theóphilo.
    - Espere um pouco - disse Amanda, surpresa - você se candidatou ao cargo de líder? Que milagre é esse? Vamos ter mesmo uma eleição de verdade?
    - É isso aí, mina. Se ninguém mais se candidatar, serei eu na fita, porque Tobias já quer se aposentar.
    - Ah, meus parabéns, Evandro.
    - E você, Amandinha, pode correr e contar seu desejo à Dalila, que duvido que ela irá te rejeitar por causa do pijama. Acho que ela nem usa! O que acha? Seria legal, se fôssemos nós dois...
    Amanda não estava gostando muito da idéia. Não era esse o plano. Ela iria ajudar Tamara, não jogar contra ela.
    - Vou pensar no assunto - mentiu ela - já terminei meu prato. Foi um prazer conversar contigo, Evandro. Espero que repitamos a dose.
    - Com certeza. Valeu, Amanda.

    James puxou a Cláudio no corredor.
    - Cláudio, muito obrigado por ter resolvido aquela confusão na sala dos Professores. Acho que você realmente põs sentido ao nome. Afinal de contas, ela é a nossa sala! Viu que comportamento deplorável a do nosso supervisor? Francamente, desde que trabalho nesse local ele sempre foi desagradável, mas isso? Passou dos limites!
    - Acho que ele nem sabe o que é "limite", James. Mesmo com a presença de Maurício Assis ele não deixou a coisa quieta. Ele ia me chamar de algo muito feio.
    - Não é à toa que muitos alunos estejam revoltados. E aquele pijama, que idéia original minha esposa ter falado. Eu já dei minha opinião de que era horrível, mas parece agora que Theóphilo nunca levou as queixas ao diretor.
    - Claro que não. Isso significaria chacota do diretor nele.
    - Que falso. Pois bem, está tranqüilo agora?
    - Estou, graças a você.

    Dalila aproveitou o ensejo e se dirigiu a Vivian.
    - Vivian, minha filha, quero conversar contigo.
    - Aconteceu alguma coisa, Da. Dalila?
    - Só Dalila. Eu fui designada a responsável geral pelas eleições de líderes e fiquei sabendo que você é uma de nossas candidatas. Agora que as coisas estão diferentes, quer por favor preencher esses formulários para mim?
    - Uma das candidatas? Quem está concorrendo comigo?
    - Contra você, seria o caso, não? É Tamara, do segundo ano.
Vivian suspirou aliviada. Pensara, por uns segundos, que era Amanda a sua rival!"Ela aprendeu que não pode comigo", pensava a coitada. "Puxa, ganharei essa eleição fácil, fácil".

    As amigas de Amanda estavam conversando no quarto.
    - Menina - disse Vera - vocês vão deixar a Amanda corromper a Tamara e destruir o coração de Evandro?
    - Amanda disse que ele não... - dizia Ana Márcia.
    - Pare de repeitir aquela asneira! Que pensamento mais insensível e cruel! Se Amanda pensa realmente assim, ela é menor do que ele!
    - Gente, precisamos conversar calmamente com ela para demovê-la desse plano - disse Marina - senão, presenciaremos conseqüências desastrosas, e creio que não seríamos capazes de ajudá-la.
    - Eu serei incapaz, porque estarei longe quando ela quiser pedir ajuda! - sentenciou Camélia
    - Que é isso, Camélia?
    - Isso mesmo que você ouviu, Ana! Nem sei porque estamos nos preocupando. Ela já está convicta, já está com o plano em andamento, vamos deixá-la afundar na lama.
    - Não, Camélia - disse Vera - vamos tentar pelo menos conversar com ela.
    Nesse momento ela chegou. Mas, para a aflição das garotas, ela trouxe Tamara consigo.
    - Meninas, creio que vocês já conhecem a Tamara, da nossa turma. Está na hora de conhecê-mo-la melhor, para podermos ajudá-la nesta eleição.
    - Gente - disse Tamara, olhando para todas - quero primeiramente agradecer a oportunidade de vocês, por terem decidido me apoiar e me ajudar a conquistar esse importante cargo, que trará benefícios para todas nós. Prometo dar o máximo de mim para conseguir a vitória.
    Marina estava se segurando para não falar a verdade.
    - Bem, Tamara - disse Ana - em que quer que a ajudemos?
    - Sou muito tímida. Todos sabem disso. E com a Vivian não será nada fácil. Ela é bonita e atrái a atenção de todos. Eu gostaria de aprender a prender a atenção desses alunos, também.
    - Vamos fazer umas palestras, tipo comício - disse Amanda, toda empolgada - e vamos assim, chamar a atenção do povo para as excelentes qualidades que você tem, Tamara. Pois é inegável que você tem uma excelente reputação neste colégio, não mata aulas, é honesta e exemplar, e nunca esteve envolvida em nenhum escândalo. Essa parte precisa ser divulgada ao máximo!
    - Jamais pretendo me rebaixar ao nível daquela Vivian. Espero que todos entendam isso.
    - Muito bem, o que precisamos fazer é isso...
    Amanda continuou. Mas a mente das outras não estavam de bom agrado acompanhando o raciocínio.

26/03/2008 GMT 1

"Colégio Castella" - Episódio 5

morrissey @ 23:38

Que confusão! Na última parte, Ramirez diz a Theóphilo que Amanda e suas colegas não estão usando o pijama. Ela é rejeitada como candidata a líder das meninas. Mas Amanda e Tamara estão pensando que isso foi um plano da Vivian! E Evandro quer ser o próximo candidato a líder dos meninos, mesmo com seu passado manchado. Será que Theóphilo concodará? Você só saberá se continuar lendo.

     À noite, depois do jantar, Amanda e suas amigas correram para o quarto para assistirem à novela. Quando ela terminou, todas estavam sorridentes, comentando as cenas que acharam interessante, quando Ana percebeu que Amanda estava pensativa.
     - Que foi, amiga, está com uma cara séria?
     - Isso é cara de candidata derrotada antes de as eleições começarem.
     - O quê? - foi a reação de todas.
     - O que aconteceu? - perguntou Camélia.
     - O desgraçado do Theóphilo descobriu que nós usamos aquele horrível pijama como pano de chão de banheiro.
     - Eu não acredito que você deixará as eleições por causa de algo tão simples! - bradou Ana - e como ele descobriu?
     - Nisso é que eu estava pensando. Momentos depois veio a Tamara, me dizendo que ouviu a Vivian e sua trupe planejando me tirar das eleições! E então, meninas, o que vocês acham?
     - Acho - disse Vera - que deve ser a prova definitiva de que Vivian tem medo de você. Ela sabe que não pode com você e armou esse golpe sujo para te eliminar.
     - E quem disse que eu estou eliminada, menina? Nada disso. As eleições ainda não começaram. Se eu não posso ser a nova líder das meninas, ela também não será.
     - E quem será - perguntou Marina - Eu?
     - Vamos parar de palhaçada! Eu estava pensando em outra pessoa.
     - Quem, pelo amor de Deus?! - implorou Camélia.
     - Calma, gente, eu ainda estou tramando. Mas será alguém que irá nos representar, disso tenho certeza.
     - Ah, é bom que seja eu, ein - disse Vera.
     - E o que vai fazer depois? - perguntou Camélia - e se a sua representante ganhar o favor de Theóphilo? Será ela quem ganhará e não você? Não acha isso meio irracional?
     - Não, é perfeito! Olha gente, eu explico depois. Agora temos de cuidar da Vivian. É claro que a gente não vai deixá-la impune. Por isso vamos feri-la onde mais lhe dói.
     - Nos seios, onde tem silicone? - perguntou Ana Márcia.
     - NÃÃÃÃOOOO!!! Ai, gente, que absurdo! Eu estava me referindo ao Evandro.
     - Não! - interrompeu Camélia - não é o que eu estou pensando.
     - Eu vou me aproximar do Evandro para...
     - Não! - de novo, Camélia - pare e já amiga! Aí já é se rebaixar ao nível da Vivian. Em primeiro lugar, o Evandro só quer conquistas de uma noite só, não seria o bastante para causar ciúmes em Vivian. Em segundo lugar, e se ele estiver mesmo apaixonado por você? Vai magoar o coração do rapaz!
     - Menina, homem tem coração? Talvez Tobías ou o menino novo, mas ele? Não, ele não tem coração, por ter dormido com mais de vinte garotas, incluindo a própria Vivian! Ele não tem condições de estar realmente apaixonado por ninguém. Eu estou mirando meu alvo na Vivian. É ela quem vai se sentir mal e irá sofrer quando ver seu amor nos meus braços.
     - E quem disse que ela ama Evandro?
     - Eu, ué, deu pra perceber. O tempo em que Evandro ficou com Vivian foi maior do que com as outras. Aposto que eles estariam até namorando seriamente se não fosse o escândalo. É a minha chance de saber se ainda há algum resquício de amor - risos.
     - Tome cuidado, amiga - disse Ana - estará se arriscando.
     - Pode deixar, gente. Me desejem sorte. Boa-noite.

     Cláudio estava preocupado durante o jantar. Beatriz percebera e queria conversar com ele, mas eles não estavam na mesma mesa. E, antes de ela terminar seu prato, ele terminara e se levantara. Restara, então, pedir ajuda aos amigos.
     - Rapazes, notei que Cláudio estava preocupado.
     - Deve ser coisas relacionadas à aula - disse Caio.
     - Eu dou aula para cinco turmas e não fico tão preocupada como ele.
     - É sua primeira semana, Bia, ele se acostuma - disse Alex.
     - Ah, mas eu desconfio de algo. Não vamos deixá-lo se preocupar. Vocês poderiam saber se ele está com algum problema.
     - Por que não pergunta você?
     - Porque ele foi para seu quarto e eu não acho decente ir para lá. Mas, vocês, podem ir sem problema.
     - Alguns alunos poderiam pensar besteira do mesmo jeito... - começou Alex.
     - Por favor, rapazes, podem ou não podem?
     - Vamos, Alex. Vamos saciar a curiosidade de Bia.
     - Preocupação - corrigiu ela, se levantando com eles.

     Alex e Caio estavam no quarto de Cláudio vendo as redações dos alunos.
     - Está faltando uma - dizia ele - que é do Léo, mas fiquei com raiva e a rasguei. Pelo amor de Deus, o que gente como essa faz neste colégio? Eu encontro redações melhores na rede pública!
     - Inveja, meu caro - diagnosticou Alex - pura inveja. Não me leve a mal, mas você tem charme, e as meninas devem estar encantadas.
     - Ora! Eu não tenho tempo para isso. Algumas se comportam de maneira ridícula. Mas, se esses meninos pensam que eu me aproveito, isso é a mentira mais mal-infundada que já ouvi. Eu poderia até processá-los por injúria e calúnia.
     - E então os advogados deles logo logo comprariam o Juíz. Ignore, Claudinho. Não deixe que eles tirem tua alegria pelo trabalho. Ademais, a Bia se preocupa com isso.
     - A Bia está preocupada também?
     - Ela praticamente nos forçou a vir aqui - disse Caio - e queria saber se podemos te ajudar de alguma forma.
     - Já estão ajudando só de me escutar. Obrigado, rapazes, agora estou com um pouco de sono.
     - Boa-noite - e os dois sairam.

     No dia seguinte, Alex estava orientando seus alunos com o basquete quando Amanda se aproximou. Ao ver o corpo sarado e escultural de Evandro, Amanda sentiu frio na barriga e se arrepiou toda. Afinal, no que ela estava se metendo? Tudo para se vingar de Vivian! Cadela! Mas agora cadela seria ela.
     Parece que Evandro percebeu que estava sendo observado e tratou de jogar com tamanha eficiência que sozinho derrotou o outro time de lavada.
     - Aê, Evandro - disse Alex - gostei de ver o seu progresso!
     "Acho melhor eu aparecer mais vezes", pensou Amanda.
     Alex deu fim à aula. Todos os garotos se dirigiam ao banheiro, mas Amélia interceptou Evandro e disse:
     - Oi, Evandro - ela tinha de fazer forças para olhar na face dele - eu estava passeando e vi vocês. Que bela jogada, adorei.
     - Puxa, obrigada, Amanda.
     Os dois ficaram quietos por uns segundos.
     - Então, a gente se vê? - perguntou Amanda.
     - Com certeza.
     - Então até mais.
     Amanda saiu se condenando. Que lascasse um beijão na boca dele! Isso não adiantaria nada. Papos como esses são ditos a qualquer hora, isso não provaria que ela estava a fim dele. Amanda até pensou em fazer as conquistas aos poucos, mas decidiu pelo contrário. Ela não tinha muito tempo, e as eleições estavam se aproximando.

     Estavam todos no chuveiro quando Evandro deu a notícia:
     - E aê, Augusto? Sabe a Amanda?
     - Aquela por quem você está louco para "ficar"?
     - Ela mesma. Conversou comigo hoje!
     Os alunos gritaram de alegria. Ramírez apareceu no banheiro.
     - Mas o que é isso? Nem pra tomar banho vocês tem classe?
     - Êpa, que é isso, Ramírez - disse Léo - não vê que estamos "descobertos"?
     - E tiraria até fotos para mostrar às meninas. Sem bagunça! Andem logo que já estão gastando muita água e sabonete.
     Ele saiu. Felipe continuou:
     - Você acha que ela está dando algum sinal?
     - Sim. Ela mesma veio até mim depois da aula e elogiou minhas jogadas. Não, antes disso, ela já estava lá me olhando. O que vocês acham?
     - Acho que a sua paciência está sendo recompensada - disse Léo - meus parabéns, chapa!
     - É o nosso futuro líder dos meninos conquistando sua primeira-dama - gracejou Augusto. Todos gargalharam, mas pararam, pensando que Ramírez poderia aparecer novamente.

     Então, com meio caminho andado, Amanda decidiu procurar por Tamara. Estava, como tinha pensando ela, na biblioteca, estudando para a prova de Beatriz. Mas, acontece que a matéria era muito fácil, Bia sabia explicar muito bem, mas Tamara insistia em estudar mais. Amanda achava isso perda de tempo, mas decidiu não criticar a coitada por hora. Ela tinha que lhe fazer uma proposta.
     - E então, amiga? Estudando para...
     - A prova.
     Amanda controlou as críticas.
     - Isso é que é menina esforçada. Olha, Tamara, eu estava querendo sugerir a você uma coisa. Já que eu não posso ser candidata a líder das meninas, eu estava pensando em indicar e divulgar você. O que acha?
Tamara fechou os livros.
     - Eu? Por que eu? E como assim, você não pode...
     - Desculpe, eu não contei a história direito. Theóphilo disse que não posso ser candidata porque eu uso o pijama como pano de chão do banheiro. Ah, até parece - risos - como se a Vivian usasse.
     - Qual o problema com o pijama? Eu uso.
     Novo controle de recriminações.
     - Acontece que eu achei isso uma injustiça e se ninguém fizer nada ele vai dar o cargo a Vivian sem eleições. Você acha isso justo?
     - Não, claro que não. Quer dizer, se bem que seria melhor para você ter usado o pijama. Como ele descobriu?
     - Ã, lembra que você me tinha alertado sobre um plano da Vivian contra mim? Pois bem, era esse o plano. Quando você me contou já era tarde demais, o estrago já estava feito. Mas, não se preocupe, não estou culpando você. Só acho que você deveria nos ajudar sendo a nossa candidata concorrente.
     - Amanda, até aí eu consigo entender, mas, olhe para mim. Quem votaria em mim?
     - Quem não votaria na Vivian.
     - Todos querem votar nela.
     - Ah, não, querida, nem todos. Não quando descobrirem que pessoa legal você é. Não percebe? Você tentou me avisar duma cilada que a Vivian estaja planejando! Olhe como ela é! Faz trapaças, mentiras e ciladas para conseguir o que quer! E você não se esqueceu daquele incidente com o Evandro...
     - Claro que não, ficou bem na minha mente.
     - Por isso, menina. Você acha que precisamos de uma líder assim? Claro que não! Precisamos de alguém que trabalhe com a decência, ética e transparência. Você, Tamara, pode muito bem ser essa pessoa. Você pode ir falar ao Theóphilo que ele vai te aceitar como candidata. Você tem mais chances do que eu.
     - Ai, Tamara, muito obrigada pelos elogios e encorajamentos! Vou agora ao gabinete dele para me inscrever. E espero que eu ganhe!
     - Eu e minhas amigas vamos ajudar você, amiga. Pode ir.
     Quando Tamara saiu com os livros, Amanda não pôde reprimir a uma risada.

     Cláudio estava esperando os alunos. Tobias e Jonas foram os primeiros. O resto da classe entrara depois.
     - Ã, professor - começou Evandro - eu acho que o senhor se esqueceu de entregar a nós as redações que o senhor mandou escrever, no nosso primeiro e primitivo dia de aula.
     Alguns riram discretamente.
     - Muito engraçado, Evandro. Acontece que não achei próprio seguir a matéria sem saber se vocês entenderam as anteriores. E parece que teremos de voltar ao básico.
     - Ah, sem essa, estavamos no nível universitário - resgungou Augusto.
     - Mas aqui não é a universidade, Sr. Augusto. Como vocês me explicam isso?
     Cláudio devolveu as redações e os alunos ficaram estarrecidos com eles mesmos.
     - Só Tobias e Jonas conseguiram notas melhores - acusou Felipe.
     - Porque eles escreveram melhor. Simples. Agora, quero saber se vocês redigiram essas porcarias só para me implicar ou o conhecimento de vocês se resume a isso?
     - Isso é um insulto a minha pessoa - disse Augusto.
     - Ei, onde está a minha folha? - perguntou Léo.
     - Rasguei. A sua foi a pior de todas.
     Todos riram desapiedosamente de Léo.
     - Agora, queiram ou não, vamos retomar às regras básicas de redação, porque parece que a grande maioria não está apta nem em assinar o nome. Livro e caderno nas mesas, por favor.

     Amanda se encontra com Ana e Marina no refeitório para um lanche.
     - E então, me contam o babado - pediu Marina.
     - Eu consegui aquela que vai nos representar e derrotar Vivian: Tamara.
     As outras duas cairam na gargalhada.
     - Do que vocês estão rindo?
     - Tamara, sendo a nossa líder - questionou Ana.
     - Mas, ela é perfeita! Nunca assinou uma ocorrência, é comportada, simpática, sincera e honesta. Não é isso que nós procuramos na nossa futura líder? Que importa se Vivian é mais bonita?
     - Olha - observou Ana - creio que, se for olhar por esse lado, você realmente fez uma inteligente escolha. Mas, ela é muito tímida.
     - Por isso é que ela não vai fazer o escândalo que Vivian fez com Evandro. Sacaram? Nós vamos investigar a fundo esse caso e desmascarar a Vivian, aí mostraremos que nossa amiga Tamara jamais faria umas coisas dessas e todas irão se convencer.
     - Uôu, amiga - alertou Marina - acho que isso está ficando longe demais. Ontem você queria apenas derrotar Vivian nas eleições. Agora vai mexer com a vida pessoal dela.
     - Estou fazendo isso em prol do Colégio Castella! Não percebem que, se ficar provado que Vivian não fora vítima de assédio de Evandro, até o Theóphilo estará com a corda no pescoço? Ele seria demitido e poderíamos ter outro supervisor melhor! Um que mande pijamas decentes para os alunos!
     - Agora estamos falando do Theóphilo! - disse Marina - ouça, querida, é melhor se acalmar um pouco e pensar no que está fazendo e no que vai fazer. Além do mais, você pode perder essa jogada. Não falou com Evandro, falou?
     - Na verdade, falei - disse, desanimada - e acho que você tem razão quanto a perder. Não fui muito convincente. Trocamos meia dúzia de palavras e saí.
     - Ah, isso prova que você está mesmo gamada! - gritou Ana.
     - Ana Márcia! Não vê que outras pessoas estão ouvindo?
     - Menina, admita, se você ficou com vergonha ao trocar palavras com ele, isso significa alguma coisa.
     - Ah, eu espero que não.
     - Eu ainda não entendo - disse Marina - se Tamara se candidatar e ganhar as eleições, o que você ganha com isso?
     - A satisfação de mostrar à Vivian que nem tudo ela consegue. Às vezes, se ganha, às vezes, se perde. Apenas isso.
     E, dizendo isso, se levantou da mesa e saiu.

     Evandro se dirigiu à sala de Theóphilo. Ele ficou surpreso com sua presença.
     - Desculpe, algum professor o mandou para cá registrar ocorrência?
     - Nada disso, não desta vez. Sr. Arantes, vim me candidatar para o cargo de líder entre os rapazes.
     - Isso é absolutamente inaceitável. Você nem de longe se qualifica para o cargo.
     - Ôpa - disse ele, rindo - parece que não li direito o formulário - cínico - ah! Me lembrei! Não tem nenhum formulário! Não há nada escrito que os candidatos tem de estar debaixo de algum perfil.
     - Não tem, mas eu estou fazendo essa análise. Ontem mesmo dispensei Amanda por não estar usando aquele maravilhoso pijama que encomendei. E você, por acaso usa, Evandro?
     - Senhor, estarei mentindo se eu disser que...
     - Então, pode esquecer. Não posso candidatar alguém que não respeite as regras.
     - Senhor, somente Tobías tem sido o líder. Por cinco anos! Ele mesmo está cansado e incentivou a gente a pensar sobre isso. Não é justo, essa eleição é dos alunos!
     - O que quer dizer, rapaz?
     - Que é o senhor quem está fazendo as eleições, escolhendo os alunos. Eu repito que todo mundo tem o direito de ser líder. As pessoas aqui me conhecem e avaliarão se eu mereço ou não.
     - Meu jovem, se competir contra Tobías é lógico que perderá. Estou adiando esse desapontamento para você!
     - Eu já estou desapontado!
     A porta se abriu e entrou Maurício.
     - O que está acontecendo, meu jovem, para se sentir desapontado? Me desculpe se me intrometo, mas ouvi a conversa quando fui abrir a porta. O que houve?
     - Theóphilo fica escolhendo os alunos que serão candidatos a líder antes que os próprios alunos!
     - Ele não tem a menor qualificação, Maurício...
     - Mas, Theóphilo, do que estamos falando? Trata-se do líder dos rapazes, nada de mais! Isso não é um emprego remunerado. São os alunos que decidirão se...
     - Evandro, senhor.
     - Evandro, mereça ser seu líder. Eu sugiro, e também mando, que você o coloque como candidato. Por Deus, o líder atual tem sido o mesmo há séculos!
     E dizendo isso, ele saiu. Evandro tinha uma carinha de satisfação.
     - Você sabe o que está envolvido nisso, certo, Evandro? Você será líder dos alunos! Eu continuo como líder geral. Continuo no controle da situação.
     - Que situação? O Maurício acabou com tua moral agora. Não tente pegar no meu pé, senão Maurício saberá de detalhes daquele caso que tenho certeza de que você não contou...
     - Fique calado! Já não conseguiu o que queria? Pode sair e comemorar com seus amigos. Se bem que não se sabe se vai comemorar mais tarde, quando as eleições acabarem.
     - Veremos. Até mais, Sr. Arantes.
     Theóphilo passou as mãos na cabeça. Que ódio! Ele sempre me humilha na frente de outras pessoas. Pelo menos ele ainda podia manobrar Evandro. Duvidava que Maurício acreditaria na palavra dele sobre o caso com a Vivian. Só restava agora ele perder as eleições. Seria a sua vingança pessoal.

FIM

15/02/2008 GMT 1

"Colégio Castella" - Episódio 4

morrissey @ 14:36

Como vimos, Theóphilo organizou uma eleição para sortear os líderes da sala dos meninos e das meninas. Enquanto as meninas tramam umas contra as outras, os meninos nem mesmo tem um candidato! O que irá acontecer? Você saberá apenas se continuar com a leitura.

     No dia seguinte, os meninos estavam se aprontando para a aula quando Ramírez abre a porta. Os meninos ficaram assustados pois Ramírez, de origem mexicana, parecia um daqueles índios que viviam nos EUA, naqueles filmes de faroeste. Apenas Jonas não se amedrontou, pois ele nada tinha a esconder.
     - E então, rapazes, dormiram bem?
     - Sim, Ramírez - disse Evandro - estamos ansiosos pelas aulas de hoje.
     - Vê se parem de me engabelar e descam logo pro café!
     Os meninos bateram em retirada. Ramírez botou a mão no ombro de Jonas.
     - Você é novo por aqui. Sou Ramírez, o inspetor. Se precisar de qualquer coisa, pode contar comigo.
     - Não estou precisando de nada no momento, mas é um prazer conhecê-lo, senhor.
     - Igualmente. Tenha uma boa aula.
     A aparência assustadora de Ramírez desapareceu naquele instante. Jonas entendeu que ele deveria continuar a fazer o que é certo, para continuar a agradar Ramírez.
     Coisa que os outros não estavam dispostos a fazer:
     - Cara, aquele índio mete mesmo medo na gente - disse Augusto.
     - Eu realmente queria que ele fosse mais legal com a gente - disse Evandro, pegando sua bandeja - facilitaria as coisas.
     - Acho que ele está esperando que você dê o primeiro passo - disse Tobias, aproximando-se dele.
     - Não é muito educado ouvir as conversas dos outros, Tobias.
     - Só porque estou falando a verdade. Se fizesse sua parte, veria que Ramírez não tem nada de amedrontador.
     - Papo de puxa-saco - disse Léo, entrando na roda - só porque ele ajudou o Ramírez naquele caso...
     - Pelo amor de Deus, vamos esquecer esse caso! - gritou Evandro, em seguida se retirou perto dos outros e tomou seu café no canto do refeitório, onde costuma comer a Tamara. Ela até se sentiu tentada a puxar conversa, mas algo dentro de si dizia que seria uma péssima hora.

     Jonas queria entender o que acontecera para que Evandro ficasse tão magoado. Enquanto os outros se dirigiam para a sala ele foi à mesa onde comia Tobias, ainda.
     - Preciso te fazer uma pergunta.
     - Até duas.
     - O que aconteceu com Evandro? De que "caso" vocês querem falar, em que envolve Evandro? Já não é a primeira vez que eu ouço, e vocês nunca terminam de comentar porque Evandro interrompe.
     - Sente-se, Jonas - Jonas obedeceu - aconteceu há alguns meses neste colégio uma coisa que abalou os alicerces do Castella. Eu descobri que Evandro era um autêntico garanhão. Meninas comportadas e decentes saíam daqui corrompidas e maculadas. Gurias que nem sabiam soletrar "sexo" saíam daqui com todo o "conhecimento" na cabeça. Entende o que eu quero dizer?
     - Claro - disse Jonas, acenando com a cabeça - Evandro era um galo.
     - Acho que a palavra seria "galinha", mas tudo bem. Quando eu descobri, ele estava de caso com a Vivian. Você não a conhece? É uma loura que esbanja glamour por todos os lados. Ela é bem popular. Acontece que eu contei para o Ramírez, que contou para Theóphilo, que não contou para Maurício porque ele queria resolver esse pepino sozinho.
     - E como ele resolveu?
     - Ameaçando Evandro de expulsão.
     - E Vivian? Parecia que ela estava gostando, não?
     - É aí que começa a revolta dos meninos. Theóphilo nem sequer piscou para Vivian. Deixou ela totalmente fora do caso, como se ela fosse uma mocinha indefesa, nas garras de um tarado voraz. Acontece que se ele ficar expulsando os alunos, pode ser que os vencimentos dele sofram uma quedra; isso não é definitivo, mas Theóphilo não estava a fim de arriscar. Deixou a inocente Vivian impune. E não expulsou Evandro, também, mas sempre o vigia. E para piorar, tem a Amanda.
     - Amanda? Eu a conheci.
     - Bonita, não? Evandro quer dormir com essa também. Acontece que Amanda não está apaixonada por ele.
     - Será que não?
     - Ela nega, mas as amigas vivem implicando com ela sobre isso. Parece que ela só não admite que gosta de Evandro porque sabe que ele já "ficou" com Vivian. E Vivian fica jogando isso na cara de Amanda. Por isso que o grupinho dela não se dá com o grupinho de Vivian.
     - Mas, se Vivian não fosse uma das conquistas de Evandro...
     - Ah, com certeza Amanda ia aproveitar a vaga. Isso se chama orgulho, no pleno sentido da palavra. Aliás, pode servir de lição para Evandro, também. Que ele aprenda que nem todas as garotas cedem aos seus encandos num estalar de dedos.

     Enquanto isso, os meninos discutiam nos aposentos:
     - Gente - disse Augusto - qual de nós será o próximo líder?
     - Ah, eu, ein - rosnou Léo - deixe isso para Tobias.
     - Mas estou cansado de ver sempre Tobias como se fosse o dono deste lugar - disse Evandro - tem de ser alguém diferente, pelo amor de Deus!
     - Então por que não se candidata você? - perguntou Felipe.
     - Porque eu não tenho crédito com Theóphilo.
     - Nem eu - responderam os outros.
     - E então - disse Augusto - ninguém se candidata? Se for Tobías, ele promete pegar mais pesado desta vez. Inclusive agora que tem aquele Jonas, ele pode até contar para Ramírez que ninguém aqui está usando aquele pijama horrorozo.
     - Ele não vai fazer isso - disse Léo.
     - Você acha que não? - questionou Evandro - ele já deveria ter feito isso há muito tempo! Não sei como ainda não fez! Uma hora ele vai entregar a gente, fiquem ligados!
     - Eu não abro mão de minha nudez noturna nem que a vaca tossa - disse Augusto.
     - Então está decidido - disse Evandro - vai ser eu o candidato.
     Todos olharam espantados para Evandro.
     - Você sabe o que isso significa? - perguntou Léo - significa que você usará aquele pijama, irá obedecer estritamente ao Théophilo, terá de se comportar bonitinho... está disposto a fazer esse sacrifício?
     - Tudo para que eu não tenha de aturar mais Tobías me enchendo. Sim, estou disposto. Aos meus amigos, e a mim mesmo!
     Todos congratularam Evandro.

     Theóphilo está digitando quando Ramírez entra.
     - Com licença, Theóphilo.
     - Fale, Ramírez - disse Theóphilo com indiferença, sem olhar para cima.
     - Eu estava passando nos dormitórios das meninas e notei que em numa das alas havia um pedaço do pijama que o senhor encomendou usado como pano de banheiro.
     - Como? Quem ousa fazer isso com o meu pijama? Justo quando eu me dei ao trabalho de encomendar? - Theóphilo olhou para Ramírez - Quem fez isso?
     - A ala pertence às alunas Amanda, Camélia, Ana Márcia, Marina, Vera...
     - É o bastante. Já sei o nome que eu estava precisando.
     - Que dirá nosso diretor, Theóphilo?
     - Nada! Vamos deixar esse pequeno incidente entre nós. Para quê incomodar Maurício com um assunto tão banal como esse, né, Ramírez? É só puxar a orelha de uma delas e pronto. Se puder chamar essa Amanda, eu agradeceria. Pode ir, Ramírez.
     Ramírez saiu e Theóphilo pensou:
     "Maurício riu e muito dos meus uniformes, dizendo que ninguém iria usar, que todos iriam dormir pelados. Se há realmente gente que não gostou da cor, isso não pode ser levado para ele. Essa gente vai usar o que eu quiser, queiram ou não queiram. Afinal, nesta escola a função deles é aprender e obedecer".

     Ramirez interrompeu a aula de Bia para chamar Amélia.
     - Amanda, Theóphilo está te chamando para a sala dele.
     Amanda saiu sorridente. Ela ficou pensando, durante o trajeto, que Theóphilo a iria considerar párea para competir o cargo com Vivian. Já estava até treinando frases: "Sim, Sr. Theóphilo, será um prazer inestimável. E se eu for eleita farei o melhor possível em prol dos alunos e da escola."
     Chegou. Entrou sem medo na sala dele. Theóphilo estava ameno.
     - Sente-se, Amanda. Quero conversar contigo sobre sua pretensão ao cargo de líder das alunas.
     - Sim, Sr. Arantes, pode falar.
     - Infelizmente você não poderá concorrer ao cargo este ano.
     - Por que não? - a frase anterior pegou em cheio em Amanda. - Aconteceu alguma coisa?
     - Contamos que nossos alunos sejam exemplares e que cuidem para que dêem exemplo aos seus colegas. Faltou alguma coisa a seu respeito. Foi me chamada a atenção ao fato de que você não só não usa nosso pijama padrão, mas também o usa como tapete do banheiro!
     - Espere aí, Sr. Arantes. Eu não durmo pelada. Não sou tarada como a V... - controlou a língua.
     - Estamos falando de normas, Amanda. O que aconteceria se as alunas soubessem que sua líder não acata as míninas regras? Daria margem para que elas desrespeitassem, não só as mínimas, como as máximas, também!
     - Então é isso? Não terá eleições?
     - Se não aparecer mais alguém, não será necessário. Mas mesmo assim quero agradecer à sua disposição de vir aqui e se oferecer como líder. Espero que você possa assim consertar o que está faltando para que seu sonho se torne realidade, ano que vem.
     Amanda saiu da sala derrotada.
     - Ano que vem eu posso estar morta! - disse ela em pensamentos - será possível me negarem a chance de ser candidata a um cargo por causa daquele mísero e hediondo pijama? Ele nem presta como tapete do banheiro! Não seca, se encharca de água muito rápido e demora a secar! Que espécie de tecido esse Theóphilo arranjou? Acho que nem a Vivian sabe! Vivian... eu tenho 80% de certeza de que ela deve dormir sem nada. Mas não quis fazer a suposição para que ele não achasse que eu estava com inveja. Mas, se eu soubesse...
     Tamara chegou a encontrá-la no corredor.
     - Disse à Profª. Bia que ia ao banheiro mas eu queria mesmo era te encontrar. Amanda, eu descobri por acaso que Vivian e sua trupe estão armando uma cilada para te ver fora da eleição de líder das meninas.
     - O quê? - Então é isso! Mas, que burra, eu devia ter desconfiado: quem poderia ter contado a Theóphilo sobre o pijama? Ela entrou algumas vezes no meu quarto! Lógico, sem a gente convidar. Por que eu a convidaria, né Tamara?
     - Acho que sei do que você está falando, Amélia.
     - Preciso conversar com as meninas no intervalo.
     - Ah, não, Amanda, por favor, não vai fazer truques sujos e se rebaixar ao nível da Vivian! Seja mais madura.
     - Tem razão, Tamara. Não apunhalá-la pelas costas. Pode deixar.
     Mas, quando Tamara já tinha saído, Amanda disse:
     - Vou apunhalá-la pela frente, mesmo!

FIM

10/10/2007 GMT 1

"Colégio Castella" - Episódio 3

morrissey @ 21:56

Como vimos no episódio anterior, Cláudio viu que as meninas, além de criarem confusão com ele, criam confusão entre si. E ainda há a ameaça de Theóphilo em tornar a vida dele mais complicada. Agora deixe de se contentar com os resumos e obtenha a continuação da história em detalhes!

CENA 1: NO CORREDOR

    Após a frustrante aula com as meninas, Cláudio estava andando e encontrou Severino passando o pano. Havia o lado limpo e o lado sujo, e muitos alunos passavam justamente pelo lado limpo. Cláudio fez o oposto e Severino notou:
    - Mas é o senhor, professor? Não ligue, essa gente rica e metida não sabe mesmo o valor da gente humilde. Se eu não estivesse nesse emprego não sei quem seria melhor para manter esse chão limpo todos os dias. Já faz dez anos que trabalho aqui, senhor.
    - Sério? E o senhor agüenta todos esses anos esses abusados?
    - Meu senhor, não adianta a gente opinar ou deixar de opinar. Logo, logo, Seu Maurício ou Seu Théo dá umas broncas neles e eles param. Parece que não tem um aluno que não teve as orelhas puxadas por eles. Até os professores vacilam!
    "Inclusive eu" disse Cláudio em pensamento.
    - Agora irei para a sala dos meninos.
    - Tome cuidado com eles - advertiu Severino - eles são brabos!

CENA 2: A SALA DOS MENINOS

    A sala dos rapazes era mais feia e bagunçada, graça a eles mesmos. Quando Jonas entrou, sentiu-se no lugar errado.
    - É aqui mesmo, mané - disse Augusto, riscando a mesa de corretivo - seja bem-vindo à nossa elegante sala de aula - alguns riram.
    Jonas procurou não conversar com os problemáticos se ele não quisesse se tornar um. Tobias estava lendo um livro. Ao olhar para cima viu Jonas confuso e arredio e o chamou:
    - Ei, Jonas! Sente-se aqui.
    Jonas aproximou-se.
    - Finalmente alguém com cérebro para poder conversar. Como se sente?
    - Ansioso, só isso. Meus pais enricaram de repente e não tardaram em mandar seu filhinho para uma escola superior.
    - Aqui não tem muita coisa que difere. Os alunos, por exemplo - e fez um largo gesto em direção à sala. Léo viu e chamou Tobias.
    - Se está falando de mim que seja bem, ein.
    - Cale-se, Léo. A conversa não chegou no chiqueiro.
    - O que foi que você disse? - outros alunos viraram-se.
    - Eu disse que se quisesse falar com um porco eu faria óinc, óinc!
    Gargalhada geral na classe. Léo achou nada engraçado e partiu pra briga, mas nesse momento chegou Cláudio.
    - Muito bom-dia - disse ele em tom sério. Ninguém respondeu - acho que teremos uma boa aula hoje. Eu me chamo Cláudio e serei o substituto do anterior professor de vocês. Pelas informações que vocês me deram, estavam estudando Redação; Resumo e Resenha para ser mais exato.  Mas gostaria de saber se vocês estão afiados mesmo nos assuntos anteriores para prosseguir. Por isso, não vamos perder tempo: cada um arranque uma folha de caderno e me faça uma redação.
    Os alunos ficaram estarrecidos.
    - Já parou para perceber que aqui não é uma de suas escolas públicas? - perguntou Evandro.
    - Sim. Por isso é que quero que vocês façam a melhor redação que puderem. Sei que vocês são meninos inteligentes e esforçados, e não me deixaram desapontado. Vamos, é pra hoje!
    - Sobre o que vamos escrever e onde estão as nossas folhas? - perguntou Léo.
    - Arranquem uma folha do caderno de vocês e escrevam sobre o que quiserem; menos sobre sexo, por favor.
    Alguns alunos ficaram decepcionados pois era sobre isso mesmo que eles queriam escrever.

CENA 3: CORREÇÃO DAS REDAÇÕES

    Cláudio estava na sala, corrindo as redações. Ele estava surpreso ao ver tantos erros de ortografia, gramática, concordância e colocação. Apenas duas redações, a de Jonas e a de Tobias, eram exemplares e continham um ou dois erros no máximo.
    Jonas bate na porta. Cláudio o manda entrar.
    - Olá, professor. Sou Jonas, também novato nesta escola. Posso entrar?
    - Claro.
    Jonas entrou. Ele viu o professor corrigindo a redação de Léo, com vontade de rasgar e jogar no lixo.
    - Pode fazer isso, se quiser.
    - Eu quero mesmo. Me diga, Jonas, por que alunos bem colocados poderiam escrever barbaridades assim?
    - Só posso concluir uma coisa: inveja.
    - Inveja? De mim? Por quê?
    - Deveria saber o que se passa na sua ausência.
    Cláudio logo teve uma idéia.
    - Está falando das meninas? Muitas estão assanhadinhas; eles pensam que estou chavecando as namoradas deles? Ah, Deus, que comportamento mais infantil...
    - Eu entendi nada. Achei que aqui fosse uma escola de responsa. Mas o que vejo até agora são meninos rebeldes, que não usam o pijama-padrão e que ficam com birra com o professor novato. Que vergonha!
    - Parece que um deles não pensa assim.
    - Tobias realmente tem me ajudado muito nesses dias. Acho que o encontro na biblioteca. Deixe-me ir, professor, e deixá-lo com as redações. Bom divertimento!
    Assim que Jonas saiu, Cláudio rasgou e jogou fora a redação de Léo.

CENA 4: MENINOS E MENINAS

    Estavam todos no intervalo. Não diziam mais "recreio" porque isso é coisa de criança. Mas eles mesmos mostravam ser crianças no íntimo.
    Por exemplo, Evandro. Onde ele mora ele é muito requisitado pelas meninas, tem uma extensa lista de suas conquistas. Mas ele não entendia por não conseguia conquistar Amanda. Ele mesmo conseguira encontros "muito" interessantes com meninas no colégio, mas por que ela não o quer? Ele acaba ficando de bico e se deprime por causa disso.
    É por isso que ele está todo deprê e não quer jogar bola com os amigos. Léo percebe isso e se dirige a ele:
    - Ê, paixão, ein? - ao ver a cara triste de Evandro - foi mal, cara.
    - Tudo bem, Léo. Já superei.
    - Enrão por que não vem jogar com a gente? Eu sei que você está olhando as meninas tentarem jogar vôlei, mas por que não distrair a cuca um pouco?
    - Porque quando eu menos espero eu imagino Amanda tirando a c...
    - Calma aê, chapa, cê tá muito apressado pro meu gosto! Mal conhece a mina e já quer tirar "proveito"?
    - Tem razão, Léo. Por Amanda ser mais difícil de usufruir, ela deve ter tratamento especial. Ela não é igual às outras, que nem lembram mais meu nome...
    - E quem sabe ela não descubra a boa-pessoa que é você?
    Os amigos bateram as mãos nas costas e foram jogar.
    Amanda parou de jogar e foi sentar. De onde estava sentada ela podia observar Evandro sem camisa, jogando. Amanda se sentia petrificada, mas seu instinto lhe dizia que estava sendo observada. E acertou.
    - Tá babando, né? - perguntou Camélia.
    - Eu dou crédito a quem merece. E não posso negar que Evandro tem um corpo "saudável". Que mal tem em babar?
    - Primeiro: você vira motivo de chacota para Vivian e seu império. Segundo: prova que está mesmo apaixonada e não vê a hora de entrar no quarto dele!
    - Menina! Para sua informação, tarde demais, mesmo se eu quisesse; porque chegou novo aluno na escola. Falando nele...
    Amanda decidiu ver se Evandro a olhava conversando com Jonas.
    - Olá, rapaz? Como você está?
    - Jonas ajeitou os óculos para ter certeza de estava falando com uma garota bonita.
    - Eu estou muito bem.
    - Eu me chamo Amanda e está é minha amiga Camélia. Não convivemos muito tempo juntos mas gostaria de dar as minhas boas- vindas. Como foi seu primeiro dia?
    - Ótimo.
    - Ah, não estou sentindo muita confiança. Tem alguma coisa te incomodando? Qual é mesmo seu nome?
    - Jonas. E não estou me sentido incomodado de forma alguma.
    - Hum, mas como você é galante na fala! Exatamente como se espera de um aluno do Castella. Não fique tentando imitar o jeito desleixado desses meninos aí, jogando bola em vez de pegar um livro para aprender a escrever direito. Seja você mesmo.
    - Obrigado pela dica, Amanda.
    - De nada. Bem, não vou continuar a atrapalhar a sua leitura. Até mais.
    As duas se afastaram e olharam para os outros jogando.
    - Ah, Mélia, acho que ele não olhou.
    - Eu olhei para ele enquanto você dava suas falsas boas-vindas. Ele olhou. E fez uma cara... acabou perdendo o gol!
    - Esses meninos são mesmo bestas. E o Evandro, apesar da barriguinha, não me convence em sentido cerebral.
    - Mas por que você quis jogar ciúmes nele, então?
    - Quem está tentando enciúmar quem? - Amanda tentava, mas parecia que não conseguia esconder a sua paixão avassaladora. Mais cedo ou mais tarde ela teria de admitir às amigas seu amor, mas ela não queria passar papel de boba. Muito menos na frente de Vivian - eu apenas queria saber como ele reagiria. Deu certo. Só fortaleceu minha tese de que Evandro não serve.
    Mas Camélia não estava 100% satisfeita com a explicação.

CENA 6: TRAMAS DE NOVELA MEXICANA

    Vivian encontrou suas amigas conversando.
    - Qual é a nova?
    - Theóphilo está querendo saber qual das meninas presentes poderiam se candidatar à líder feminina - respondeu Linda - e nós pensamos em você.
    - E você disse isso para ele?
    - Não - estranhou Dolores.
   - Suas tontas, podiam ter falado com ele que eu adoraria me inscrever para o cargo de líder! Vocês acham que eu não iria amar a idéia?
    - Sim. E é por isso que resolvemos te contar, para depois você não reclamar que nos metemos na sua vida.
    - Ah, meninas, muito obrigada; eu mesmo falarei com Theóphilo.
    Acontece que do outro lado:
    - Vai, Amanda, dizer a Theóphilo que você é a nossa líder! - implorava Marina.
    - Se você não for eu mesma irei - ameaçou Vera.
    - Calma, meninas! Vocês acham mesmo que eu serei capaz de liderar todas as garotas do colégio?
    - Se você está com medo da Vivian - insinou Camélia - pode parar e já com isso. Não vamos aceitar nossa amiga se dar mal por causa de uma sirigaita que fala mais francês que o próprio português! Não senhora! Quando você for nossa líder a Vivian terá de se ajoelhar diante de sua autoridade, e se isso não acontecer, tem Theóphilo ou o próprio Maurício para colocar essa metida no lugar, entendeu?
    - A perspectiva de Theóphilo não me convenceu muito. Vocês não se lembram daquele dia em que ela...
    - Lembro-me perfeitamente - disse Marina - Vamos, minha filha, vá se dirigir ao Theóphilo que ele entenderá. E estaremos torcendo por você.
    E enquanto isso, entre os rapazes...
    - Já sei que será o nosso líder - zombava Felipe - pela enésima vez... Tobias!
    - Eu já estou farto de mandar vocês pararem de palhaçada. Não adianta, o líder será Ramirez e ponto final.
    - Ramírez, Tobias, está louco? - perguntou Léo.
    - Quem é Ramírez? - perguntou Jonas, que estava num canto, lendo.
    - É o nosso inspetor. Ele não serve, pois nesse cargo só se aceitam alunos - disse Tobias - pôxa, galera, um de vocês podiam ajudar e fazer a diferença nesse colégio.
    - Por que Jonas não se candidata? - perguntou Evandro.
    - Porque eu sou novo, não tenho nem uma semana de estudo aqui, não visitei todos os aposentos e nem sei direito o nome daquele cara que finge ser o dono dessa escola.
    - Théophilo - respondeu Léo - mas nem esquente em decorar o nome daquilo.
    - E então, gente - insistia Tobias - pensem bem na proposta. Ou não reclamem se o escolido for eu, de novo. Se for, falarei com Ramírez que vocês estão dormindo de sunguinha...
    - Nem pense nisso! - berraram os outros. Jonas continuava paciente na sua leitura.

    Então, enquanto os meninos discutiam, as meninas já estavam decididas. Vivian entra no gabinete de Theóphilo.
    - Bom-dia, Theóphilo. Vim me inscrever para o cargo de líder das meninas.
    - Puxa, Vivian, meus parabéns. Escreva nesta folha teu nome, por favor.
Vivian escreveu.
    - E se por acaso não aparece ninguém mais, eu digo que você é a nossa líder e nem faremos a tal da eleição, OK?
    - OK, Theóphilo. Muito obrigada.
    E Vivian saiu como se fosse uma menina comportada. Mas seu comportamento mudou quando viu Amanda andando para o gabinete de Theóphilo.
    - Vai assinar ocorrência?
    - Vou assinar que estarei concorrendo ao cargo de líder. E você?
    - Acabei de fazer a mesma coisa - disse Vivian, olhando firme para sua rival - e Théophilo me garantiu que se não tivesse alguém à altura o cargo seria meu e nem se faria as eleições. Parece que isso vai acontecer!
    - Não conte a vitória tão cedo, amiga! Mesmo que eu perca, será um prazer competir com você em pelo menos alguma coisa - e dizendo isso, Amanda entrou na sala.
    Ao se afastar mais, Vivian pensou:
    "É claro que ela não tem nenhuma chance contra mim. Mas mesmo assim quero me precaver".

    Mais tarde Vivian se encontrou com as amigas:
    - E quando eu estava saindo sabe quem me aparece? Aquela guria que nem sabe o que é Calvin Klein querendo sonhar em ser astronauta! E ainda diz que será um prazer competir comigo, mesmo perdendo!
    - Que burra - disse Linda - mas não há nada a temer. Você pode ser a vencedora, pois tens muitos créditos para Theóphilo. E quem é Amanda para competir com você?
    - Sei, meninas. Mas se ela dizer que conseguiu se candidatar, vocês me ajudam a vencê-la, certo?
    - Claro, Vivian - disse Dolores - afinal nós não somos amigas?
    Tamara, a menina tímida, estava à distância lendo um livro, mas ouviu a conversa das três.
    " Eu sei o que significa essa 'ajuda'", ponderou ela "significa que elas farão jogo sujo para ganhar o cargo. Como sempre. Tenho que avisar à Amanda sobre isso.

E então, temos visto mais uma vez um emocionante episódio de Colégio Castella. Agora o assunto do dia será essa eleição. Quem vencerá? E o mais importante: quem será líder da classe dos meninos? Não perca a próxima parte.

03/09/2007 GMT 1

Colégio Castella - Episódio 2

morrissey @ 14:15

Como vimos na primeira parte, Cláudio mal chega no Colégio Castella e já é surpreendido por muitas surpresas: as meninas apaixonadas, os meninos cíumentos, os professores solidários e os superiores autoritários. E há também Jonas, um rapaz tímido que encontrou colegas nada amigáveis. Como deve ser o primeiro dia desses dois? Deixe de preguiça e acompanhe a leitura!

CENA 1: HORA DE ACORDAR PARA MAIS REGRAS!

    Alex e Caio bateram na porta de Cláudio, mas este não respondeu. Eles experimentaram a porta e a acharam aberta. Entraram.
    - Hora de acordar para mais regras, Cláudio - disse bem alto Caio.
    Foi aí que Cláudio começou a acordar. Ele se espreguiçou e olhou para os dois com cara de quem não está entendendo nada. Ele olhou pro despertador: 05:45h. Tinha botado corda nele para 06:30h!
    - Está cedo ainda, rapazes.
    - Ué, cara, não leu as regras? Temos de acordar cedo para nos reunir com o Theóphilo.
    Cláudio ficou rolando para lá e para cá. Deu para os professores ver que ele estava sem camisa.
    - Ih, Cláudio, você dormiu pelado? - perguntou Alex - Eu só dormia nu, também, mas tive de parar.
    - Por quê?
    - É, Cláudio, está na cara que você não leu mesmo as regras - disse Caio - isso acontece. Todo mundo reagiu assim. Acontece que nós temos pijamas oficiais.
    Cláudio fez uma careta. Aos poucos ele acordava pra vida.
    - Devem estar brincando.
    - Sério - disse Alex, levantando-se da cama e abrindo o guarda-roupa.   Meteu a mão nos fundos e retirou o pijama padrão que Cláudio não vira quando colocara suas calças.
    - Que cor horrível é essa! - reclamou Cláudio - o diretor podia ter estilo. Todo mundo usa isso?
    - É - explicou Alex - antigamente, os alunos dormiam como quisessem. Mas de vez em quando alguém descia para ir ao banheiro, comer alguma coisa, tipo assim. Então, de vez em quando via-se um rapaz só de cueca ou uma garota com um baby-doll tão curto e transparente que na verdade nada tampava circulando pelos corredores... aí o Theóphilo acabou com a liberdade do povo. E da nossa, também.
    - Houve algum grave incidente?
    - Não. Mas o Theóphilo não queria arriscar. Às vezes ele cuida daqui como se a escola fosse dele, e Maurício apenas acena a cabeça a tudo o que ele diz.
    Cláudio concordou. Era o típico do empregado puxa-saco que, na verdade, pretende tomar o lugar do patrão na primeira oportunidade.
    - Bem, então está na hora de levantar e ver o que esse Théo tem a dizer.
    Cláudio levantou-se e os outros dois viraram a cara, mas descobriram que Cláudio estava de bermuda. Suspiraram aliviados.

CENA 2: VIOLAÇÃO DAS REGRAS

    Jonas acordara e vira seu companheiro ainda continuar a dormir. Observou bem Evandro e viu os braços dele do lado de fora. Concluíra que ele dormia sem o pijama-uniforme.
    "Ele está sem o pijama. Será que esse treco horrível não passara de trote?"
    Ele teve mais dúvidas quando passou pela sala e viu os outros trajados de roupas comuns, nenhum deles usando o pijama. Eles conversavam, mas pararam ao ver Jonas no horrível pijama verde.
    - Parabéns - disse Léo - você é o primeiro a usar esse pano de chão horrível! - gargalhada dos demais.
    - Então não existe nada de pijama-padrão? - perguntou Jonas, não achando graça.
    - Existe. Mas a maioria não usa. Aqui todo mundo dorme peladão, mesmo. Acho que as meninas devem usar uma camisolinha... - e deixou a frase no ar.
    - Acho que nem o Theóphilo deve usar esse troço - disse Augusto, vestindo o uniforme - ele inventou essa só porque viu Tamara no corredor, indo pro banheiro, de camisola. TAMARA!! Logo ela, que é nada sexy, e a camisola parecia ser a da minha vó. Mas o Theóphilo achou "imoral" e mandou esses pijamas medonhos para todo mundo.
    - Mas esse cara tem o Código Penal no lugar do cérebro - continuou Luís - como ele saberá que a gente está ou não usando? Eu mesmo fico de short até mesmo no inverno!
    Os meninos começaram a zoar do Luís e de sua caozeira. Neste exato momento, entra um rapaz alto e de aparência culta e respeitável. Era Tobias, o rapaz mais inteligente entre os rapazes.
    - Dando as boas-vindas ao nosso recém-chegado, rapazes? - perguntou ele, fechando a porta - Tobias Barreto - disse, apertando a mão de Jonas. Jonas logo sentiu confiança em Tobias e pensou aliviado que não estaria só neste colégio.
    - Jonas. Onde é nossa sala?
    - Troque de roupa e tomaremos nosso café. Depois eu te guio - enquanto Jonas saía - e enquanto a vocês, o que estão fazendo de short e camiseta? Dormiram assim? Logo Ramírez irá pegá-los no flagra e eu nem quero saber de choradeira depois.
    - Ah, cara, vai me dizer que usa esse negócio? - desafiou Luís.
    - São as normas. Elas são que me fazem permanecer neste lugar. Até mais.

CENA 3: A SALA DOS PROFESSORES
   

    Cláudio usava terno e gravata vindos da Itália e andava ao lado de Alex e Caio. Os outros também estavam elegantes. Mas Cláudio estranhou: por que Alex usar um terno também se ele é professor de Educação Física?
Alex abriu a porta da sala dos professores e lá os outros se encontravam. Estavam conversando animadamente, e gostaram de conhecer Cláudio. Beatriz o reviu; estava de conjunto de saia e blaizer branco com blusa azul-claro. Ela tinha dado um trato no cabelo e Cláudio a elogiou por isso.
    - Puxa, aqui é mesmo uma sala dos professores. Está elegante, Beatriz.
    - Ora, aqui todos me chamam de Bia. E você, também, Cláudio.
    Apareceu duas pessoas: James, o professor de História e Dalila, a professora de Geografia. Os dois são casados e moram no Colégio Castella há cinco anos.
    - Prazer, Cláudio, em conhecê-lo - começou James - eu sou James e esta é minha esposa Dalila.
    - Como vai? - perguntou Dalila, numa voz doce e meiga.
    - Eu estou ótimo. Muito deslumbrado com esse lugar.
    Enquanto James e Dalila contavam sua vida, seu casamento, em detalhes, Bia foi olhando para a porta que se abria. Entrou um homem de quarenta anos, um pouco careca e de farto bigode. Ela ficou chateada, pois Theóphilo Arantes acabara de chegar.
    - E então quer dizer que vocês se casaram aqui mesmo? - perguntou Cláudio.
    - Sim, mas a lua-de-mel foi em Paris - respondeu Dalila, sorrindo.
    - Gente, ele chegou - disse Bia, numa voz grave e rouca, demostrando sua chateação - "aquilo" é o Theóphilo, Cláudio - aí ela disse mais baixo - creio que nem leu direito aquelas folhas de regras, certo?
    - Acertou em cheio - disse ele no mesmo tom - mas como você soube?
    - Aconteceu com todo mundo.

CENA 4: THEÓPHILO ARANTES

Theóphilo Arantes tinha quarenta anos, era quase careca e tinha um farto bigode. Ele mantinha ares de autoridade como se ele fosse o chefe do colégio. Cláudio não gostou de Theóphilo logo de saída.
    Todos sentaram-se. Providencialmente, havia uma cadeira para Cláudio. Ele sentou-se entre Bia e Vanda, a professora de Educação Física para as meninas (como vocês vêem, o colégio pensa em tudo).
    - Muito bem, vamos começar - disse Theóphilo - como vocês sabem, temos novo professor de Português. Espero que já o tenham cumprimentado porque essa é uma de nossas normas: ser gentil e educado com todos.
    "Você nem mesmo perguntou meu nome", pensou Cláudio.
    - Vamos continuar. Vanda, como está a questão da bola de basquete?
    - As meninas resolveram jogar voley enquanto a bola de basquete está em falta, senhor.
    - O que houve com a bola de basquete? - quis saber James.
    - Amanda a atirou longe do campo, quando tentava fazer uma cesta de três pontos.
    - Inteligente na sala, mas tão burrinha no campo... - disse Dalila.
    - Vamos adiante. Cláudio, já sabe o que vai ensinar para os meninos, hoje?
    Cláudio ficou surpreso quando viu que Theóphilo já sabia o seu nome.
    - Estava pensando em passar as regras básicas de redação...
    - Pode parar - interrompeu o outro - eles já começaram essa matéria, que foi interrompida pelo outro professor que se casou - Caio "limpou a garganta" ao ouvir a frase - pelo relatório que ele fez, você deve continuar em Resumo e Resenha.
    - Mas isso é matéria de faculdade...
    - Aqui é "quase" uma faculdade, meu querido! Já não percebeu que esse colégio não é igual aos outros? O ensino tem de ser superior. Ou você ensina o que eu determino ou...
    Neste exato momento chegou o Diretor-Chefe Maurício Lima de Assis. Theóphilo ficou com as palavras presas nos lábios e olhou o mestre com um certo receio de ter dito besteira na frente dele.
    - Como vai indo a reunião, Théo? - perguntou Maurício - bem, certo? Deixe que eu assumo, agora.
    Theóphilo sentou-se. Cláudio viu que ele não estava gostando de ser posto em lugar inferior. Ele tinha mais alguma coisa a dizer a ele, e não perderia a chance. Bia tocou-lhe no braço.
    - Não deixe esse chato te infernizar. Seja firme. Ele não é o dono desse colégio. Castella era o sobrenome da avó de Maurício, e ele é o herdeiro. É 100% dele, entendeu? Ainda não consigo entender por quê ele não entende isso. Pagaria menos mico.
    Maurício terminou o discurso e disse:
    - Então, meus professores, tenham um bom-dia!
    Todos levantaram-se. Como esperado, Theóphilo correu para Cláudio e o levou para seu gabinete particular.
    - Ainda não terminei com você, meu rapaz. Não pense que sou totalmente dependente de meu chefe. Tenho certa autoridade neste colégio e pretendo usá-la visando o bem destes alunos que pagam caro e ficam longe da família por uma educação melhor. Você tem de dar o seu melhor, Cláudio. Não tente me atrapalhar. Faça seu trabalho e me deixe fazer o meu.
    Cláudio sentiu que isso fora uma legítima ameaça.
    - É apenas isso, senhor?
    - Só. Vá logo dar a sua aula.
    Cláudio saiu mais intrigado do que quando entrou.

CENA 5: MENINAS NADA DISCRETAS II

    Amanda estava usando o pijama como pano de chão enquanto escovava seus cabelos. As outras meninas estavam ajeitando a maquiagem.
    - Ai, gente, estou tão emocionada - disse Marina - hoje será a nossa aula de Português, e seremos as primeiras!
    - Ainda bem, pois não acho que os meninos iam ficar excitados com isso - disse Ana Márcia.
    - Pelo que eu sei, parece que eles estão é com inveja - disse Amanda - homens! Sempre com inveja e desconfiança. Por que eles não podem ser metade do que nós somos, amigáveis e educadas?
    - É por que existem "pessoas" que pensam que ele pode roubar você deles - disse Vera, fazendo as outras rirem.
    Amanda reagiu furiosa:
    - Urgh! Quando vocês vão botar na sua cabeça que eu não quero nada com aquele Evandro? Ele não gosta do professor por causa disso? Ah, tá vendo só, gente, como os homens são uns panacas?
    - É o amor, Amanda - zombou Camélia.
    - Todas já estão prontas? - perguntou Camélia - está na hora do café.
    As meninas desceram as escadas aparentando ter glamour e entraram no refeitório. Gizelda e Marlúcia já colocaram o café no balcão e já havia gente comendo.
    - Onde está o professor? - perguntou Marina.
    - Ele deve estar na reunião com Theóphilo.
    - É, Amanda, está devendo uma bola a eles - disse Ana Márcia.
    - Se liga, minha filha, eles vão arranjar outra enquanto a gente joga voley. Foi o que a Vanda decidiu.
    - Mas será que Théo decidirá o mesmo? Não gaste toda a sua mesada.
    As meninas pararam de conversar porque outro grupo de meninas estava chegando. Essas eram AS MENINAS. As mais ricas, as mais badaladas, as mais populares e as que mais davam trabalho no Colégio Castella, mas Theóphilo jamais pensava em expulsá-las. Porque ele sabia que com menos alunas, menos rendimentos teria o colégio e possivelmente seu salário seria reduzido.
    Vivian, a que parecia ser a líder, olhou firme para Amanda e soltou seu veneno.
    - Olá, Amanda. Lindos sapatos. O seu pai comprou pra você no Shopping? - as outras começaram a rir pois elas costumavam comprar as coisas no exterior.
    - Não, esses são da Prata mas comprei pelo catálogo.
    - Eh, correção - disse Linda - a marca se chama "Prada", e não se compra no catálogo da Hermes. E não estou falando de televisão - outra gargalhada.
    - E então, vai comprar a bola?
    - Vanda disse que e...
    - A Vanda "acha" que a escola vai fornecer a bola, mas isso não é departamento deles. Eles tem de administrar o dinheiro com coisas mais importantes, querida. Bola de basquete, não. E não foi o diretor quem tentou fazer uma cesta do lado oposto da quadra - disse Vivian, sempre fazendo suas colegas rir.
    - Ah, essas suas damas-de-companhia só sabe rir? - perguntou Amanda, mas a pergunta não causou graças em Ana Márcia, Marina, Camélia e Vera.
    - Vamos, meninas - disse Dolores - está na hora de comer.
    Um grupo passou pelo outro e cada um foi cuidar de se alimentar.

CENA 6: A PRIMEIRA AULA

    Assim que terminou de tomar o café, Cláudio foi para a sua sala. Ele guardou suas coisas no armário e deixou o material de hoje em sua grande mesa. O lugar onde as meninas sentam era um degrau abaixo. As carteiras eram do mesmo verde do pijama horroroso.
    "Está explicado", pensou Cláudio.
    Vivian e sua gangue foi a primeira a chegar. Elas cumprimentaram o professor com elegância, nada de assanhamento igual às outras. Essas chegaram por último e logo quebraram a paz da sala.
    - Olá, Prof. Cláudio, como foi à noite? - perguntou Marina.
    - Dormiu bem? - perguntou Ana Márcia.
    - Usou o nosso pijama? - perguntou Camélia.
    - Claro, Camélia, você acha que ele ia dormir peladão? - perguntou Amanda.
    Houve um silêncio constrangedor e Vivian reprovava a safadeza das meninas.
    - Pode ficar tranqüilas, meninas - disse Cláudio - não usei aquele pijama.
    As meninas arregalaram os olhos e abriram a boca.
    "Que safadas", pensou Vivian.
    Cláudio ficou em pé e começou a dar a sua aula. Vivian e as outras prestavam atenção e até faziam anotações adicionais. Mas Camélia e suas amigas ficavam sonhando acordadas com o professor, e nada de proveito tiravam.
    A porta se abriu e uma aluna que não era tão bonita como a demais entrou de cabeça baixa.
    - Desculpe, professor, pelo atraso.
    - Tudo bem. Qual é o seu nome?
    - Tamara.
    Tamara correu para a última carteira. Cláudio continuou com sua aula; mas viu a cara de vaca sonsa das meninas e decidiu fazê-las acordá-las.
    - E quem foi mesmo que escreveu "Cacau", Camélia?
    - Willie Wonka.
    Gargalhada geral da classe. Até mesmo Tamara não resistiu.

Parece que Cláudio vai se divertir muito com as meninas. O problema é que os meninos não querem dar moleza a ele e pretendem tornar as aulas dele no estresse em pessoa. E ele ainda precisa lidar com a pressão de Theóphilo. Continue a ler a história no terceiro episódio.

28/08/2007 GMT 1

Colégio Castella - Episódio 1

morrissey @ 22:37

Cláudio Soares chega no Colégio Castella e fica olhando o prédio de três andares, paredes de tijolos vermelhos com os rejuntes pintados de branco, jardins por todos os lados e alguns jovens conversando do lado de fora. Ele anda carregando duas malas e sobe uma escada de dez degraus. Abre a porta...

CENA 1: NO SAGUÃO

     Cláudio logo fica parado pois um faxineiro estava passando o pano. Mas ele olhou para o futuro professor e disse:
    - Está procurando alguém?
    - Onde fica a diretoria?
    - No segundo andar, primeira porta à esquerda. É um novo professor?
    - Parece que ficarei por aqui, sim.
    - Seja bem-vindo. Me chamo Severino.
    Os dois apertaram as mãos. Mas Claúdio corrigiu mentalmente a frase de Severino, "Chamo-me Severino"; mas não queria dizer em voz alta para não ofender logo de cara o novo amigo.
    Ao seguir as instruções de Severino, Cláudio chegou à Diretoria. Ele percebeu durante o caminho como tudo era limpo e organizado, bem construído, mobiliado e arrumado. Os jovens que passavam por ele estavam bem trajados em uniformes vermelhos.

CENA 2: NA DIRETORIA

    O Diretor Maurício estava sentado em sua escrivaninha anotando recomendações quando Cláudio bate na porta.
    - Pode entrar - disse ele.
    Cláudio entrou, meio atrapalhado com as malas. Deixou-as num canto, disse bom-dia para o diretor e sentou-se na cadeira que estava à sua frente.
    Maurício olhou para o novo professor. Ele tinha boa aparência, cabelos lisos e olhos cor-de-mel. Usava óculos, mas Maurício, sem saber porquê, pensou que ele poderia enxergar sem eles.
    - Então você está aqui. Sabe que aqui no Colégio Castella não somos iguais a essas escolinhas que vocês costumam licenciar. Aqui nós temos classe! E classe não se aprende de uma hora para outra. Você terá que se ajustar às nossas normas, ou estará fora. Não se for da minha vontade, lógico. Acontece que nossos alunos são muito exigentes. Eles estão pagando por uma educação melhor. Portanto, Sr. Soares, dê o seu melhor.
    - Certamente que darei, senhor. Como é o sistema, aqui?
    - É o seguinte - disse ele, pegando em alguns papéis - nesta escola temos duas turmas. A dos meninos, com vinte, e a das meninas, também com vinte. Está para chegar também mais um aluno. O senhor dará aula de Literatura para as moças e Redação para os rapazes. O nosso último professor casou e não pôde mais morar aqui. Mas acredito que você pretende ficar, certo? - perguntou o diretor, olhando para as malas mal-colocadas no canto da sala.
    Claúdio achou prudente não responder, pois poderia perder a paciência logo no primeiro dia; isso seria ruim. Agradeceu e saiu. Ao abrir a porta, deu de cara com um jovem baixo que ia bater na porta.

CENA 3: AS BOAS-VINDAS

    Cláudio foi andando pelos corredores sempre com suas malas. Percebeu que os jovens já não estavam mais lá. Concluiu que agora eles devem estar estudando.
    Finalmente, chegou no seu quarto, no terceiro andar, onde ficava os dormitórios de todos. Não era necessáriamente o Plazza Hotel, mas Cláudio estava satisfeito. Guardou suas roupas no guarda-roupa com esmero e preparou-se para as aulas que daria amanhâ.
    Quando deu seis horas da noite, ele desceu para o refeitório. Mas não o achou de imediato, por isso parou uma garota que tinha vários livros na mão.
    - Com licença, moça, onde fica o refeitório?
    A moça demorou-se em olhar para ele e respondeu:
    - Continue seguindo em frente, senhor...
    - Obrigado.
    Camélia, a moça, nem conseguiu responder de volta. Correu para o grupo mais próximo e comentou:
    - Meninas, já viram quem está no colégio?
    - Sei - respondeu Marina - um jovem baixo de óculos.
    - Não, eu me refiro ao nosso provável professor postiço. Vocês já o viram?
    - Ninguém o viu ainda, só amanhã - respondeu friamente Amanda, a mais inteligente entre as meninas, talvez de todo o Colégio Castella.
    - Vocês estão perdendo - retrucou Camélia - na hora do jantar, dêem uma olhada na pessoa nova, exceto o feioso de óculos.
    Enquanto isso, Cláudio se apresentava aos outros professores que já estavam no refeitório.
    - E então, o que achou da escola? - perguntou Alex, o professor de Educação Física.
    - Muito limpa e organizada.
    - E quanto as regras? Promete dar conta? - desta vez quem perguntou foi Caio, o professor de Matemática.
    - Que regras?
    - Ele ainda não as recebeu, de fato - disse Beatriz, a professora de Biologia - mas assim que estiver jantando, Theóphilo vai passar a lista das regras debaixo de sua porta.
    - São muitas?
    - Não, mas o chato é cumpri-las - disse Beatriz.
    Caio arrematou:
    - É por isso que o outro professor deu o fora.
    - O diretor disse que ele foi embora porque casou - disse Cláudio.
    Os seus colegas de trabalho deram uma risada discreta.
    - É claro que Maurício nunca irá dizer que foi duro demais com nosso pobre professor. Mas tudo bem - disse Alex - não deixe que ele o amedronte. Bem-vindo, Cláudio.
    A cozinheira Gizelda apareceu do outro lado do refetório com uma grande panela de arroz à grega.
    - Bem - disse Beatriz - vamos logo comer!

CENA 5: MENINAS NADA DISCRETAS

    Enquanto isso, todos os alunos entraram no refeitório. Em instantes, todos arranjaram seus lugares e começaram a jantar. Além do arroz, havia bife grelhado, salada de rúcula (evitada pela maioria dos rapazes) e lasanha de frango. Cláudio comeu até se saciar. Quando ele terminava de beber seu suco e os outros professores sairam da mesa, as nossas meninas conhecidas se aproximavam dele:
    - Ai, meu Deus, Camélia, você tinha razão!
    - Parece ator de novela mexicana! - disse Ana Márcia.
    - Eu não disse? - perguntou Camélia - e vocês estavam olhando o baixote de óculos.
    O problema é que as meninas não mantinham a devida discrição e Claúdio ouviu mais ou menos a conversa das meninas.
    - Olá, professor. Me chamo Amanda e em nome de todas as meninas  quero desejas as melhores boas-vindas ao senhor.
    As outras cortaram Amanda e bagunçaram tudo:
    - E eu me chamo Camélia!
    - E eu, Ana Márcia!
    - E eu, Marina!
    - Ei, gente, eu ainda estava falando! - gritou Amanda.
    - Ah! Parecia discurso de deputada estadual! - gozou Ana Márcia.
    Outros alunos que ainda estavam no refeitório começaram a rir, até mesmo Gizelda, que estava na pia lavando as vasilhas, ouviu a confusão.
    - Muito bem, meninas - disse Cláudio - foi um prazer conhecê-las e espero que estejam prontas para a aula de amanhã.
    - Estaremos "preparadas" - disse Marina, pensando besteira.
    Os rapazes comentavam entre si:
    - Que cambada de vadias - exclamou Felipe.
    - Só porque "acham" o cara bonito. O amor é cego mesmo - brincou Luís, fazendo os outros rir.
    - Será que ele é boa gente? - perguntou Evandro - já se imaginou se ele for gentil com elas e horrível com a gente?
    - No mínimo. Conheço esses caras - disse Felipe, observando Cláudio sair - agora ele deve estar se achando o gostosão. Safado.
    - Mas seremos nós quem iremos complicar a vida dele - disse Léo - ele verá que conosco não tem quem nos trate mal por causa de saias curtas.
    E para selar o plano todos brindaram e beberam o último gole de refrigerante.

CENA 6:AS REGRAS

    Cláudio, depois de sair daquele terreno hostil, subiu para seu quarto. Quando começou a entrar, sentiu-se pisando num papel, obviamente as regras que Theóphilo deixara.
    - Esse Theóphilo só pode estar brincando! - exclamou Cláudio, quando acendeu a luz e viu que o "papel" era um documento de cinco folhas, escritas na frente e no verso, cheias de normas ditadas pelo Theóphilo, o coodernador e vice-diretor do Colégio Castella, reconhecido e assinado pelo diretor-chefe Maurício Lima de Assis.
    Cláudio tirou a camisa, os sapatos e as meias e deitou-se na cama, e começou a ler as regras. Mas elas foram escritas de modo bem detalhado e chato, e nosso professor começou a dar sono. Largou as folhas de lado e se ajeitou nas cobertas para dormir, depois de apagar a luz.

CENA 7: O NOVATO

    Enquanto isso, não se esqueçam de que as garotas mencionavam um novo aluno, baixo e de óculos. Esse aluno se chamava Jonas e estava se instalando em seu quarto. Ele ia dividir o quarto com Evandro, um dos rapazes que queria ver se o professor Cláudio estava ou não se aproveitando das meninas. Ele estava preocupado porque ele gostava da Amanda, e não gostava de pensar que Amanda gostasse mais do professor do que ele. Por isso nem falou muito com seu novo parceiro de quarto, que chegou e deixou as malas no chão.
    - Em qual cama você dorme? - perguntou Jonas, procurando ser gentil.
    - A da esquerda - disse Evandro, sentado numa cadeira, tentando ler um livro, mas com a mente distraída em vocês sabem quem.
Jonas desfez as malas e notou uma roupa estranha no guarda-roupa.
    - O que é isto? - perguntou ele, e, puxando para fora, viu um pijama de uma horrível cor verde.
    - Já sei, é horrível. Mas é o pijama oficial da escola. Temos de usá-lo. É a norma.
    - Não está escrito na folha que me deram.
    - Vai se acostumando, meu chapa. Essas seriam regras da escolinha pública de onde veio. Aqui é diferente.
    Enquanto isso os outros estavam conversando na sala. Os dormitórios dos alunos eram divididos em alas; cada ala havia três quartos com duas camas cada. Havia uma sala onde os alunos podiam ver TV e usar o computador, mas a maioria, lógico, tinha laptops. E nesta sala estavam Felipe, Léo, Luís e Augusto.
    - Aquele guri que chegou em nada combina com a gente - disse Augusto.
    - E se ele for esperto - disse Léo - deve sentir isso.
    - As gatas nos querem - opinou Luís - mas assim que ele pisou nesta escola as minas começaram a rir. Entre elas ele é "o baixinho de óculos" - risadas dos quatro, não muito altas.
    - Quero ver ele jogando bola na Educação Física. Alex não vai ter pena dele.
    - Muito menos a gente - arrematou Luís.
    - Agora outro que temos de ter cuidado é o novo professor - disse Léo.
    - Ele que espere. Se acha que vou escrever igual à Amanda está errado.
    - Escrever?
    - Eu falei um pouco com o diretor Maurício. Ele vai dar aula de Literatura pras meninas, mas Redação pra gente.
    - P---, quem deve gostar disso é o Tobias! - exclamou Augusto.
    - E aquele manézinho também... qual é mesmo o nome dele? - perguntou Leopoldo, fazendo seus amigos cair na risada mais uma vez.

FIM DO PRIMEIRO EPISÓDIO

E com vocês, a história, finalmente.

morrissey @ 22:33

    Olá a todos.

    Eu estou feliz em dizer que em seguida postarei a primeira parte da minha história que tanto prometi. Eu a fiz com muito carinho e atenção, principalmente com respeito às regras gramaticais (Faço Letras Português). Mas se me escapou alguma coisa, por favor, me perdôem; vocês sabem muito bem que os recursos de editor de texto são limitados e eu ainda estou aprendendo...

    Mas chega de enrolação e vamos logo ao que interessa!

    Morrissey.

27/08/2007 GMT 1

Sobre "Colégio Castella"

morrissey @ 17:12

Olá a todos!

A minha primeira história será "Colégio Castella".

Cláudio Soares, professor de português, é contratado para dar aulas no Colégio Castella. Esse colégio é muito chique e interno; ou seja, os alunos passam o dia e a noite lá, saindo apenas nos fins de semana. Cláudio tem de se amoldar às normas rígidas do local e saber lidar com diversas situações, principalmente com o rebuliço que as meninas causam por acharem ele um "gato". Os meninos morrem de inveja porque Cláudio chama a atenção das meninas e não cooperam nas aulas. Acompanhe comigo o que Cláudio fará para sair dessas e de outras em "Colégio Castella".

As minhas histórias serão contadas em partes, e periodicamente acrescentarei uma parte nova, como se fosse um seriado, com descrição de cenas e tudo mais.

Logo, logo.

Bem-Vindos!

morrissey @ 17:04

Bem-vindo a todos!

Sou universitário em Letras e minha paixão é escrever. Por isso criei esse espaço para poder registar minhas histórias a todos.

Divirtam-se, breve começarei a escrever.

"Colégio Castella" Apenas aqui, no History Blog.

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