Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

History Blog

Arquivo: Setembro 2007

03/09/2007 GMT 1

Colégio Castella - Episódio 2

morrissey @ 14:15

Como vimos na primeira parte, Cláudio mal chega no Colégio Castella e já é surpreendido por muitas surpresas: as meninas apaixonadas, os meninos cíumentos, os professores solidários e os superiores autoritários. E há também Jonas, um rapaz tímido que encontrou colegas nada amigáveis. Como deve ser o primeiro dia desses dois? Deixe de preguiça e acompanhe a leitura!

CENA 1: HORA DE ACORDAR PARA MAIS REGRAS!

    Alex e Caio bateram na porta de Cláudio, mas este não respondeu. Eles experimentaram a porta e a acharam aberta. Entraram.
    - Hora de acordar para mais regras, Cláudio - disse bem alto Caio.
    Foi aí que Cláudio começou a acordar. Ele se espreguiçou e olhou para os dois com cara de quem não está entendendo nada. Ele olhou pro despertador: 05:45h. Tinha botado corda nele para 06:30h!
    - Está cedo ainda, rapazes.
    - Ué, cara, não leu as regras? Temos de acordar cedo para nos reunir com o Theóphilo.
    Cláudio ficou rolando para lá e para cá. Deu para os professores ver que ele estava sem camisa.
    - Ih, Cláudio, você dormiu pelado? - perguntou Alex - Eu só dormia nu, também, mas tive de parar.
    - Por quê?
    - É, Cláudio, está na cara que você não leu mesmo as regras - disse Caio - isso acontece. Todo mundo reagiu assim. Acontece que nós temos pijamas oficiais.
    Cláudio fez uma careta. Aos poucos ele acordava pra vida.
    - Devem estar brincando.
    - Sério - disse Alex, levantando-se da cama e abrindo o guarda-roupa.   Meteu a mão nos fundos e retirou o pijama padrão que Cláudio não vira quando colocara suas calças.
    - Que cor horrível é essa! - reclamou Cláudio - o diretor podia ter estilo. Todo mundo usa isso?
    - É - explicou Alex - antigamente, os alunos dormiam como quisessem. Mas de vez em quando alguém descia para ir ao banheiro, comer alguma coisa, tipo assim. Então, de vez em quando via-se um rapaz só de cueca ou uma garota com um baby-doll tão curto e transparente que na verdade nada tampava circulando pelos corredores... aí o Theóphilo acabou com a liberdade do povo. E da nossa, também.
    - Houve algum grave incidente?
    - Não. Mas o Theóphilo não queria arriscar. Às vezes ele cuida daqui como se a escola fosse dele, e Maurício apenas acena a cabeça a tudo o que ele diz.
    Cláudio concordou. Era o típico do empregado puxa-saco que, na verdade, pretende tomar o lugar do patrão na primeira oportunidade.
    - Bem, então está na hora de levantar e ver o que esse Théo tem a dizer.
    Cláudio levantou-se e os outros dois viraram a cara, mas descobriram que Cláudio estava de bermuda. Suspiraram aliviados.

CENA 2: VIOLAÇÃO DAS REGRAS

    Jonas acordara e vira seu companheiro ainda continuar a dormir. Observou bem Evandro e viu os braços dele do lado de fora. Concluíra que ele dormia sem o pijama-uniforme.
    "Ele está sem o pijama. Será que esse treco horrível não passara de trote?"
    Ele teve mais dúvidas quando passou pela sala e viu os outros trajados de roupas comuns, nenhum deles usando o pijama. Eles conversavam, mas pararam ao ver Jonas no horrível pijama verde.
    - Parabéns - disse Léo - você é o primeiro a usar esse pano de chão horrível! - gargalhada dos demais.
    - Então não existe nada de pijama-padrão? - perguntou Jonas, não achando graça.
    - Existe. Mas a maioria não usa. Aqui todo mundo dorme peladão, mesmo. Acho que as meninas devem usar uma camisolinha... - e deixou a frase no ar.
    - Acho que nem o Theóphilo deve usar esse troço - disse Augusto, vestindo o uniforme - ele inventou essa só porque viu Tamara no corredor, indo pro banheiro, de camisola. TAMARA!! Logo ela, que é nada sexy, e a camisola parecia ser a da minha vó. Mas o Theóphilo achou "imoral" e mandou esses pijamas medonhos para todo mundo.
    - Mas esse cara tem o Código Penal no lugar do cérebro - continuou Luís - como ele saberá que a gente está ou não usando? Eu mesmo fico de short até mesmo no inverno!
    Os meninos começaram a zoar do Luís e de sua caozeira. Neste exato momento, entra um rapaz alto e de aparência culta e respeitável. Era Tobias, o rapaz mais inteligente entre os rapazes.
    - Dando as boas-vindas ao nosso recém-chegado, rapazes? - perguntou ele, fechando a porta - Tobias Barreto - disse, apertando a mão de Jonas. Jonas logo sentiu confiança em Tobias e pensou aliviado que não estaria só neste colégio.
    - Jonas. Onde é nossa sala?
    - Troque de roupa e tomaremos nosso café. Depois eu te guio - enquanto Jonas saía - e enquanto a vocês, o que estão fazendo de short e camiseta? Dormiram assim? Logo Ramírez irá pegá-los no flagra e eu nem quero saber de choradeira depois.
    - Ah, cara, vai me dizer que usa esse negócio? - desafiou Luís.
    - São as normas. Elas são que me fazem permanecer neste lugar. Até mais.

CENA 3: A SALA DOS PROFESSORES
   

    Cláudio usava terno e gravata vindos da Itália e andava ao lado de Alex e Caio. Os outros também estavam elegantes. Mas Cláudio estranhou: por que Alex usar um terno também se ele é professor de Educação Física?
Alex abriu a porta da sala dos professores e lá os outros se encontravam. Estavam conversando animadamente, e gostaram de conhecer Cláudio. Beatriz o reviu; estava de conjunto de saia e blaizer branco com blusa azul-claro. Ela tinha dado um trato no cabelo e Cláudio a elogiou por isso.
    - Puxa, aqui é mesmo uma sala dos professores. Está elegante, Beatriz.
    - Ora, aqui todos me chamam de Bia. E você, também, Cláudio.
    Apareceu duas pessoas: James, o professor de História e Dalila, a professora de Geografia. Os dois são casados e moram no Colégio Castella há cinco anos.
    - Prazer, Cláudio, em conhecê-lo - começou James - eu sou James e esta é minha esposa Dalila.
    - Como vai? - perguntou Dalila, numa voz doce e meiga.
    - Eu estou ótimo. Muito deslumbrado com esse lugar.
    Enquanto James e Dalila contavam sua vida, seu casamento, em detalhes, Bia foi olhando para a porta que se abria. Entrou um homem de quarenta anos, um pouco careca e de farto bigode. Ela ficou chateada, pois Theóphilo Arantes acabara de chegar.
    - E então quer dizer que vocês se casaram aqui mesmo? - perguntou Cláudio.
    - Sim, mas a lua-de-mel foi em Paris - respondeu Dalila, sorrindo.
    - Gente, ele chegou - disse Bia, numa voz grave e rouca, demostrando sua chateação - "aquilo" é o Theóphilo, Cláudio - aí ela disse mais baixo - creio que nem leu direito aquelas folhas de regras, certo?
    - Acertou em cheio - disse ele no mesmo tom - mas como você soube?
    - Aconteceu com todo mundo.

CENA 4: THEÓPHILO ARANTES

Theóphilo Arantes tinha quarenta anos, era quase careca e tinha um farto bigode. Ele mantinha ares de autoridade como se ele fosse o chefe do colégio. Cláudio não gostou de Theóphilo logo de saída.
    Todos sentaram-se. Providencialmente, havia uma cadeira para Cláudio. Ele sentou-se entre Bia e Vanda, a professora de Educação Física para as meninas (como vocês vêem, o colégio pensa em tudo).
    - Muito bem, vamos começar - disse Theóphilo - como vocês sabem, temos novo professor de Português. Espero que já o tenham cumprimentado porque essa é uma de nossas normas: ser gentil e educado com todos.
    "Você nem mesmo perguntou meu nome", pensou Cláudio.
    - Vamos continuar. Vanda, como está a questão da bola de basquete?
    - As meninas resolveram jogar voley enquanto a bola de basquete está em falta, senhor.
    - O que houve com a bola de basquete? - quis saber James.
    - Amanda a atirou longe do campo, quando tentava fazer uma cesta de três pontos.
    - Inteligente na sala, mas tão burrinha no campo... - disse Dalila.
    - Vamos adiante. Cláudio, já sabe o que vai ensinar para os meninos, hoje?
    Cláudio ficou surpreso quando viu que Theóphilo já sabia o seu nome.
    - Estava pensando em passar as regras básicas de redação...
    - Pode parar - interrompeu o outro - eles já começaram essa matéria, que foi interrompida pelo outro professor que se casou - Caio "limpou a garganta" ao ouvir a frase - pelo relatório que ele fez, você deve continuar em Resumo e Resenha.
    - Mas isso é matéria de faculdade...
    - Aqui é "quase" uma faculdade, meu querido! Já não percebeu que esse colégio não é igual aos outros? O ensino tem de ser superior. Ou você ensina o que eu determino ou...
    Neste exato momento chegou o Diretor-Chefe Maurício Lima de Assis. Theóphilo ficou com as palavras presas nos lábios e olhou o mestre com um certo receio de ter dito besteira na frente dele.
    - Como vai indo a reunião, Théo? - perguntou Maurício - bem, certo? Deixe que eu assumo, agora.
    Theóphilo sentou-se. Cláudio viu que ele não estava gostando de ser posto em lugar inferior. Ele tinha mais alguma coisa a dizer a ele, e não perderia a chance. Bia tocou-lhe no braço.
    - Não deixe esse chato te infernizar. Seja firme. Ele não é o dono desse colégio. Castella era o sobrenome da avó de Maurício, e ele é o herdeiro. É 100% dele, entendeu? Ainda não consigo entender por quê ele não entende isso. Pagaria menos mico.
    Maurício terminou o discurso e disse:
    - Então, meus professores, tenham um bom-dia!
    Todos levantaram-se. Como esperado, Theóphilo correu para Cláudio e o levou para seu gabinete particular.
    - Ainda não terminei com você, meu rapaz. Não pense que sou totalmente dependente de meu chefe. Tenho certa autoridade neste colégio e pretendo usá-la visando o bem destes alunos que pagam caro e ficam longe da família por uma educação melhor. Você tem de dar o seu melhor, Cláudio. Não tente me atrapalhar. Faça seu trabalho e me deixe fazer o meu.
    Cláudio sentiu que isso fora uma legítima ameaça.
    - É apenas isso, senhor?
    - Só. Vá logo dar a sua aula.
    Cláudio saiu mais intrigado do que quando entrou.

CENA 5: MENINAS NADA DISCRETAS II

    Amanda estava usando o pijama como pano de chão enquanto escovava seus cabelos. As outras meninas estavam ajeitando a maquiagem.
    - Ai, gente, estou tão emocionada - disse Marina - hoje será a nossa aula de Português, e seremos as primeiras!
    - Ainda bem, pois não acho que os meninos iam ficar excitados com isso - disse Ana Márcia.
    - Pelo que eu sei, parece que eles estão é com inveja - disse Amanda - homens! Sempre com inveja e desconfiança. Por que eles não podem ser metade do que nós somos, amigáveis e educadas?
    - É por que existem "pessoas" que pensam que ele pode roubar você deles - disse Vera, fazendo as outras rirem.
    Amanda reagiu furiosa:
    - Urgh! Quando vocês vão botar na sua cabeça que eu não quero nada com aquele Evandro? Ele não gosta do professor por causa disso? Ah, tá vendo só, gente, como os homens são uns panacas?
    - É o amor, Amanda - zombou Camélia.
    - Todas já estão prontas? - perguntou Camélia - está na hora do café.
    As meninas desceram as escadas aparentando ter glamour e entraram no refeitório. Gizelda e Marlúcia já colocaram o café no balcão e já havia gente comendo.
    - Onde está o professor? - perguntou Marina.
    - Ele deve estar na reunião com Theóphilo.
    - É, Amanda, está devendo uma bola a eles - disse Ana Márcia.
    - Se liga, minha filha, eles vão arranjar outra enquanto a gente joga voley. Foi o que a Vanda decidiu.
    - Mas será que Théo decidirá o mesmo? Não gaste toda a sua mesada.
    As meninas pararam de conversar porque outro grupo de meninas estava chegando. Essas eram AS MENINAS. As mais ricas, as mais badaladas, as mais populares e as que mais davam trabalho no Colégio Castella, mas Theóphilo jamais pensava em expulsá-las. Porque ele sabia que com menos alunas, menos rendimentos teria o colégio e possivelmente seu salário seria reduzido.
    Vivian, a que parecia ser a líder, olhou firme para Amanda e soltou seu veneno.
    - Olá, Amanda. Lindos sapatos. O seu pai comprou pra você no Shopping? - as outras começaram a rir pois elas costumavam comprar as coisas no exterior.
    - Não, esses são da Prata mas comprei pelo catálogo.
    - Eh, correção - disse Linda - a marca se chama "Prada", e não se compra no catálogo da Hermes. E não estou falando de televisão - outra gargalhada.
    - E então, vai comprar a bola?
    - Vanda disse que e...
    - A Vanda "acha" que a escola vai fornecer a bola, mas isso não é departamento deles. Eles tem de administrar o dinheiro com coisas mais importantes, querida. Bola de basquete, não. E não foi o diretor quem tentou fazer uma cesta do lado oposto da quadra - disse Vivian, sempre fazendo suas colegas rir.
    - Ah, essas suas damas-de-companhia só sabe rir? - perguntou Amanda, mas a pergunta não causou graças em Ana Márcia, Marina, Camélia e Vera.
    - Vamos, meninas - disse Dolores - está na hora de comer.
    Um grupo passou pelo outro e cada um foi cuidar de se alimentar.

CENA 6: A PRIMEIRA AULA

    Assim que terminou de tomar o café, Cláudio foi para a sua sala. Ele guardou suas coisas no armário e deixou o material de hoje em sua grande mesa. O lugar onde as meninas sentam era um degrau abaixo. As carteiras eram do mesmo verde do pijama horroroso.
    "Está explicado", pensou Cláudio.
    Vivian e sua gangue foi a primeira a chegar. Elas cumprimentaram o professor com elegância, nada de assanhamento igual às outras. Essas chegaram por último e logo quebraram a paz da sala.
    - Olá, Prof. Cláudio, como foi à noite? - perguntou Marina.
    - Dormiu bem? - perguntou Ana Márcia.
    - Usou o nosso pijama? - perguntou Camélia.
    - Claro, Camélia, você acha que ele ia dormir peladão? - perguntou Amanda.
    Houve um silêncio constrangedor e Vivian reprovava a safadeza das meninas.
    - Pode ficar tranqüilas, meninas - disse Cláudio - não usei aquele pijama.
    As meninas arregalaram os olhos e abriram a boca.
    "Que safadas", pensou Vivian.
    Cláudio ficou em pé e começou a dar a sua aula. Vivian e as outras prestavam atenção e até faziam anotações adicionais. Mas Camélia e suas amigas ficavam sonhando acordadas com o professor, e nada de proveito tiravam.
    A porta se abriu e uma aluna que não era tão bonita como a demais entrou de cabeça baixa.
    - Desculpe, professor, pelo atraso.
    - Tudo bem. Qual é o seu nome?
    - Tamara.
    Tamara correu para a última carteira. Cláudio continuou com sua aula; mas viu a cara de vaca sonsa das meninas e decidiu fazê-las acordá-las.
    - E quem foi mesmo que escreveu "Cacau", Camélia?
    - Willie Wonka.
    Gargalhada geral da classe. Até mesmo Tamara não resistiu.

Parece que Cláudio vai se divertir muito com as meninas. O problema é que os meninos não querem dar moleza a ele e pretendem tornar as aulas dele no estresse em pessoa. E ele ainda precisa lidar com a pressão de Theóphilo. Continue a ler a história no terceiro episódio.

"Colégio Castella" Apenas aqui, no History Blog.

Arquivo | Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis